sábado, 3 de janeiro de 2009

100 anos a "turbinar" o Rio Vizela...

De acordo com a brochura comemorativa dos 150 anos da Fábrica do Rio Vizela ( Edição da Câmara Municipal de Santo Tirso ) a Central Hidro-eléctrica de Caniços foi construida em 1908.
Parece que o equipamento se encontra em serviço ainda é o original, o que constitui uma proeza técnica impressionante. (Espero poder confirmar, brevemente, esta informação).
Foi com os excedentes de produção eléctrica da Fábrica do Rio Vizela que se começou a electrificação de S. Miguel das Aves, cuja Junta de Freguesia se proprietária da rede e distribuidora.
A nacionalização da rede eléctrica depois do 25 de Abril retirou à Junta de Freguesia esse previlégio, sem que alguma vez tenha sido recebida indemnização pelo património nacionalizado. No nosso concelho apenas uma freguesia escapou a essa onda e ainda hoje mantem uma rede privada: a freguesia de Roriz, cuja rede pertencia ( e pertence) a uma Cooperativa. Curiosamente, terá sido a estrutura cooperativa da sociedade detentora da rede a razão da sua não nacionalização.
A nacionalização não foi feita directamente para a EDP. Passou primeiro pela integração nos SMAES ( Serviços Municipalizados de Água, Electricidade e Saneamento) da Câmara, quando era Presidente da Junta de Freguesia o Prof. José Pacheco e presidente da Câmara o Dr. Joaquim Couto, ambos eleitos pelo Partido Socialista ( 1982 - 1985).
Aparentemente não terá havido nenhuma negociação relativa ao património e infra-estrutura. Ficou tudo pelas dívidas, que as havia, de muitos meses, da Junta à EDP, numa altura em que, por falta de investimento, a rede se encontrava sobrecarregada e obsoleta.

Nota ( em 6/01/09): de acordo com informação do Sr. Engº Gonzaga de Carvalho, a Central de Caniços tem "dois grupos respectivamente de 1905 e 1908 e que trabalharam até há poucos anos e que infelizmente terão sido vandalizados".
Afinal, a "turbinagem" do Rio Vizela em Caniços tem mais de 100 anos...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Gente de cá: Padre Joaquim Ferreira da Silva

Lendo em diagonal o livro de Fernando Marques de Oliveira "Vila das Aves, Elementos para uma monografia", encontrei referência ao Padre Joaquim Ferreira da Silva, sacerdote jesuíta, nascido nas Carvalheiras. Essa referência recordou-me uma carta recebida, há tempos, na Junta de Freguesia, de uma Associação de ex-militares da Índia Portuguesa, que sugeria a atribuição de nome de rua a esse sacerdote, considerando o acto heróico por ele praticado praticado num campo de concentração da antiga Índia Portuguesa.

O Padre Joaquim Ferreira da Silva, já falecido, era um dos vários sacerdotes membros de uma conhecida família de Rebordões, aí residente há (muito) mais de 50 anos e não tínhamos informação de que fosse, efectivamente, natural de cá.

A ocasional leitura do livro do Padre Marques de Oliveira e o facto de, em cada Dezembro que passa, se recordar a Invasão de Goa pela Índia, levou-nos a uma pesquisa na internet sobre o caso.

É sabido que os militares que se encontravam no chamado Estado Português da Índia foram maltratados, ou pelo menos esquecidos, durante muitos anos, pelo regime deposto no vinte e cinco de Abril. E só muitos anos mais tarde foram reconsideradas as circunstâncias e reanalisados os factos então ocorridos.

A pesquisa permitiu chegar rapidamente a http://pensovisual.blogspot.com/2008/05/padre-joaquim-ferreira-da-silva-um-heri_16.html , que, para além de relatar o que ocorreu ( transcrevendo uma notícia do Expresso), deu conta da publicação, em Diário da República, de um Louvor, a título póstumo, a que foi fácil aceder e que a seguir se apresenta:


Portaria n.º 1217/2007
O Padre Joaquim Ferreira da Silva, religioso da Companhia de Jesus, natural de Aves, Santo Tirso, alistou -se no Exército Português em 6 de Maio de 1958, como alferes graduado Capelão. Tendo sido graduado no posto de Tenente Capelão em 1 de Dezembro de 1960, viria a falecer em 9 de Dezembro de 1987, na Póvoa do Varzim.
Considerando que resultou como provado — por investigação realizada no Arquivo Geral do Exército e no Arquivo Geral da Marinha, com análise de documentação original e bibliografia sobre o período, bem como através da audição de várias individualidades envolvidas — que
na tarde de 19 de Março de 1962, o Capelão Joaquim Ferreira da Silva, deu solução, com indómita coragem, a um grave incidente ocorrido no campo de prisioneiros de Pondá, na antiga Índia Portuguesa, arriscando a sua própria vida. Considerando que, avaliadas as circunstâncias de grande instabilidade emocional, tensão e risco vividos nesse dia, o acto heróico e abnegado protagonizado pelo Capelão Joaquim Ferreira da Silva evitou que a
situação tivesse uma escalada imprevisível pondo em risco a vida dos cerca de 1750 militares portugueses e civis presentes.
Louvo, a título póstumo, o Tenente Graduado Capelão Joaquim Ferreira da Silva pelo extraordinário acto heróico por si praticado no campo de prisioneiros de Pondá, na antiga Índia Portuguesa, em 19 de Março de 1962, revelador de raras e notáveis qualidades de abnegação, coragem moral, firmeza de carácter e virtudes militares, dignas de serem apontadas como exemplo, classificando -o como distintíssimo e relevante, do qual
resultou honra e lustre para as Forças Armadas Portuguesas.
Pelas razões aduzidas e no uso da competência que me é conferida pelo n.º 1 do artigo 34º, ouvido, nos termos do artigo 3º, o Conselho de Chefes de Estado -Maior, atento o disposto nos artigos 13º, 14º, alínea c) do 19º e 71º, todos do Regulamento da Medalha Militar e das Medalhas Comemorativas das Forças Armadas, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 316/2002, de 27 de Dezembro, concedo, a título póstumo, a Medalha Militar de Serviços distintos, grau ouro, com palma, ao Tenente Graduado Capelão Joaquim Ferreira da Silva.
7 de Dezembro de 2007. — O Ministro da Defesa Nacional, Henrique
Nuno Pires Severiano Teixeira.


Penso que seria interessante obter o testemunho do(s) nosso(s) conterrâneo(s) que cumpriam o seu serviço militar obrigatório no Estado da Índia nessa altura e que estiveram em campos de concentração. Há uma imagem de S. Francisco Xavier na Assunção ( Monte Córdova) que foi oferecida e levada em procissão por ex-militares da Índia e que deve ter uma história para contar.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Avenida de Poldrães à Tojela

Em 31/12/1936,
"Uma avenida de 14 metros, de Poldrães à Tojela... Ninguém diga que é irrealizável o meu sonho, porque não é."
Padre Joaquim da Barca, Jornal de Santo Thirso

dos Aves

Em 15 de Dezembro de 1936, escrevia o Padre da Barca no Jornal de Santo Thyrso:
" Também sou daqueles que querem e desejam para a nossa terra o nome de S. Miguel dos Aves por ser tal nome mais exacto, mais rigoroso, mais gramatical, mais bonito, mais natural e único que corresponde à verdade e sem esforço a mostra".

Propósito

O propósito deste blogue é criar e tornar disponível um repositório de coisas e factos relativos a Vila das Aves. De opiniões, eventualmente, mas também de promessas, de documentos, de imagens, de cores, do desenho da cidade...
São benvindas as contribuições de quem queira associar-se, assim como os comentários.
( Em o1de Maio de 2009 : este era para ser o primeiro "post" do blogue. Verifico que hoje que se manteve como rascunho... Mais vale tarde do que nunca.)