sexta-feira, 5 de junho de 2009

Da Junta da Paróquia à Junta de Freguesia (3)

A Igreja Matriz
Nas actas da então Junta da Parochia, existem várias referências à Igreja local, o que não admira, tão ligadas que estavam. Vamos citar algumas.
Nestes que pensamos ser os primeiros registos da Junta da Parochia, e sob a presidência de Pedro Augusto do Couto e a regedoria de José da Silva Mendes, registe-se a deliberação, na acta da reunião de 18 de Janeiro de 1879, de se dirigirem (os elementos da Junta) ao concelho (VªNª de Famalicão) para escolha de um terreno para o cemitério. Isto, devido ao auxílio oferecido para o efeito por um benfeitor. (Seria o Conde de S. Bento?)
Em 20.07.1879 registava-se a arrematação dos “trabalhos de beneficiação dos telhados da Igreja, entregues a João Evangelista de Sousa, de Lordelo, pelo valor de 40 mil reis”.
Em tempo de doações à Igreja, na sua reunião de 11 de Janeiro de 1880, a Junta elabora uma acta de aceitação, com voto de louvor, do donativo de Manoel João Ribeiro (Conde de S. Bento) constituído por um terreno situado no Monte do Cruzeiro, pertencente ao passal e no valor de 40mil reis.
Na reunião de 31 de Outubro deste mesmo ano, dá-se conta da oferta apresentada pelo abade, Manuel Joaquim da Motta, de uma rica caldeira de prata com esponja, oferta esta do Comendador (C. de S. Bento?) e em reunião de 12 de Dezembro nomeia aquele que poderá ter sido o primeiro coveiro remunerado oficialmente: Francisco d’Almeida e o guarda do cemitério, Joaquim da Cunha Guimarães.
A concessão de campas começa a ser registada em acta de 12 de Janeiro de 1885. Assim, refere-se a concessão da campa nº 63 a Maria Ribeiro d’ Azevedo, do lugar da Carreira, da nº 49 a António de Beja Ferreira, de Sobrado e as nºs 66 e 72 a Custódia Ribeiro de Faria (in perpetum).

Industrias

Um carimbo:
"Foto-Studio
Santo Tirso
1956".
É a única informação disponível.
Qual é a fábrica?
Quem são os operários?
Para a época, é uma empresa bem equipada ou obsoleta?
Que tipos de máquinas e que ofícios estão representados?

domingo, 31 de maio de 2009

Livro de apontamentos

Na etiqueta da capa o livro regista: "Este libro é de José da Costa". Como se vê na figura, está datado de 1904.

É um registo de acontecimentos de família e de sociedade, contendo ainda algumas notícias de acontecimentos regionais e nacionais.


É particularmente curioso verificar, através destes registos, a origem das famílias: o pai do pai do de José da Costa era natural da freguesia da Ínsua, da Vila de Castendo, (actualmente chama-se Penalva do Castelo) na Beira Alta.
O avô materno era natural de Ponte de Lima e a avó materna de S. Miguel das Aves.
( Seria interessante conhecer mais origens das famílias que, por causa da indústria têxtil, particularmente da Fábrica do Rio Vizela. Neste caso, segundo a família, foi a construção da linha do caminho de ferro que trouxe um beirão para o Vale do Ave).
Alguns registos curiosos: uma excursão da Fábrica do Rio Vizela a Viana do Castelo em 17/9/1911, outra a Braga em 27/7/1919, a primeira ida à Póvoa, em 1910 e uma greve na Rio Vizela em 4/8/1950.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Indústrias

A primeira referência que encontrei sobre a indústria de construção de máquinas têxteis no nossa região foi uma notícia de 1936, no Jornal de Santo Thyrso. Relatava a presença da empresa Carvalho & Irmão, de Caniços numa Exposição Regional, "com maquinaria que rivaliza com o melhor que vem do estrangeiro".

Informações diversas dão conta de que o empreendedor António da Costa Sampaio (Barros), cujo "grupo de trabalho" apresentámos há dias, terá sido operário nessa empresa de Caniços.


As ilustrações que apresentamos hoje são a contracapa e a capa de um desdobrável de 6 páginas, a cores, em português e em francês, produzido na Lito Alvorada, Porto, para a Metalúrgica Barros, de António da Costa Sampaio.

Estamos convictos de que se trata de desdobrável preparado para a participação numa Feira Industrial que se realizou no Palácio de Cristal, no Porto, em 1968.

O desdobrável apresenta o "Tear Automático Sampaio", liso e de 4 cores, com mudança automática de canela.






terça-feira, 26 de maio de 2009

Da Junta da Parochia à Junta de Freguesia (2)

Em 1878, e na sequência das disposições legais em vigor, procedeu-se à eleição da Junta da Parochia de S. Miguel das Aves, que já tinha incorporadas as ex-freguesias de Romão e de Sobrado.
Refira-se que a capacidade de eleger era muito restrita.
Em 15 de Novembro de 1878, tomaria posse, na residência paroquial, aquela que se presume ter sido a primeira Junta de que há registo, presidida por Joaquim José de Lemos Guimarães e tendo como vice-presidente e tesoureiro, Joaquim José Pimenta Machado. Foram ainda eleitos, como secretário, António Martins Ribeiro e como vogais, António de Beja Ferreira, Joaquim Ferreira Dias e Manoel José Coelho.
Era regedor Basílio Cândido de Magalhães.
Alguns factos registados até final de 1879:
15/11/1878 - Entrega dos paramentos, vasos sagrados e alfaias ao reverendo Abade.
02/12/1878- "Entimação" de Manuel Fernandes de Araújo para pagar a quantia de 28.800 reis que devia o pai Francisco Fernandes de Araújo (por um título particular) à antiga confraria do Sub-sino.
02/01/1879- Início da discussão do ordenado a atribuir ao secretário e ao regedor.
18/01/1879- Deliberado dirigirem-se ao concelho (VªNªFamalicão) para a escolha de um terreno para o cemitério em virtude de terem recebido um auxílio para o efeito de um benfeitor. Seria Manuel José Ribeiro, Conde de S.Bento?
15/06/1879- Apresentação do "Orçamento de Receita e Despeza" do segundo semestre:
doze clamores a cento e vinte reis cada - 1440 reis;
14 missas - 4 mil reis; barrer a Igreja e conduzir água para a mesma -720 reis; labar e engomar roupa - 850 reis; ordenado do secretário da Junta da Parochia e do Regedor 4 000 reis; para cera para consumo na Igreja - 3500 reis; papel para a Junta e Regedor - 200 reis; guizamentos - 800 reis; 3 livros para a Junta (actas, inventário dos paramentos e vazos da Igreja e Código Administrativo Paroquial) - 2520 reis.
20/07/1879 - Arrematados os trabalhos de beneficiação dos telhados da Igreja entregues a João Evangelista de Sousa, de Lordelo - 40 mil reis.

Indústrias

Para contar toda a história da indústria no Vale do Ave será necessário ter em conta a verdadeira aventura de alguns empreendedores, saídos do meio operário, sem qualquer formação especializada para além daquela que obtiveram na tarimba do dia a dia, desde muito jovens, no meio da "ferrugem".
Aventura porque, começando do nada, se transformaram em construtores de teares.
A foto não tem data. Deverá ter sido feita cerca de 1950 e regista o "grupo de trabalho" (como se diz agora) da Metalúrgica Barros que acompanhou António da Costa Sampaio (no centro da foto) no desafio de produzir teares automáticos para equipar a indústria têxtil da região.
(Espera-se ajuda para definir uma data para a foto e para identificar as pessoas nela presentes).

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sinalética

A sinalética indica "outros destinos" (na esquerda) mas deixa clara a possibilidade de haver outros outros destinos (na direita).


Direita ou esquerda?

Tanto faz... se tais outros destinos, num e noutro sentido, nos remetem a paisagens (interiores ou exteriores) de degradação, de inércia, de desânimo, de regresso ao passado...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Rasto de Sangue - poesia


de Joaquim Ferreira Neto

(Ferreira Neto, 1923-2003).

Edição de 1956, Vila das Aves

Composto e Impresso na Tipografia das Aves.



42 páginas

"Irmão - que sem parar - de sol a sol,
trabalhas para bem da humanidade...
se levantas a voz - vem a polícia,
e lá se vai a tua liberdade.
...
Se fizeres valer os teus direitos,
e que à muda pressão, forte resistas.
Alguem ao ver, projectos seus, desfeitos,
vai dizer, que és, dos comunistas.

(extracto do poema "Rasto de Sangue" que dá título ao livro)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Da Junta de Parochia à Junta de Freguesia (1)

Após a Revolução Liberal de 1820, com Mouzinho da Silveira, foi decretada uma nova estrutura administrativa e territorial. O governo de então criou as “Juntas de Paróchia” (decretos de 26/06/1830 e 19/02/1831) com a finalidade de conservarem e reformar em os edifícios das igrejas e seus anexos, receber e administrar os seus bens, rendimentos e esmolas e fazer as despesas do culto.

Em 1834, as funções da “Confraria” (“Confraria do Subsino”) passaram para a Junta de Parochia que o Juiz do Subsino passou a integrar como tesoureiro.

A partir de 1916, o termo Parochia/Paróquia ficou a indicar a comunidade religiosa e aparecem as expressões “Freguesia” e “Junta de Freguesia”para indicar a unidade territorial administrativa e a comunidade humana que a habita.

A Junta de Parochia de S. Miguel das Aves

O Livro de Actas mais antigo das reuniões da Junta de Parochia de S. Miguel das Aves de que tenho conhecimento inicia-se em 18 de Agosto de 1878. S. Miguel das Aves ainda pertencia ao concelho de Vª Nª de Famalicão. Não sei se terão existido outras antes…

Nesta primeira acta procedeu-se à eleição da “mesa eleitoral para a Junta da Parochia”. Nesta altura, a identidade dos cidadãos que podiam ser eleitores, era reconhecida pelo pároco e pelo regedor.

Fontes: Dr. Geraldo C. Dias – Paróquia e Cultura, 2ªs Jornadas Culturais de Vila das Aves e Livros de Actas das Reuniões, Junta de Freguesia.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Gente que recordamos.

Manuel José Martins, 1884-1976.

Conhecido por Manuel Moleiro, foi mestre da moagem da Fábrica do Rio Vizela. Nasceu a 20 de Maio, há 125 anos, em S. Tomé de Negrelos, onde viveu. Foi regedor da sua freguesia.



Neste blogue de "Entre ambos os Aves" não pretendemos o exclusivo registo do que foi e do que é a margem esquerda do Rio Vizela. Bem pelo contrário, reconhecemos a existência de uma forte memória comum focalizada na história da Fábrica do Rio Vizela e que abarca as duas margens e toda uma zona de duas freguesias que, em certa época, era conhecida como Negrelos, sem mais.

A este registo esperamos que se sigam muitos outros de gente de cá e de lá que recordamos pela sua notoriedade na época em que viveu.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fotos antigas

Desconheço a origem do nome gracindinha por que era conhecida esta automotora diesel da linha de Guimarães... Era assim como que um autocarro sobre carris, de lotação muito limitada, mas com a vantagem de que, lá dentro, não chovia ( o que acontecia nas carruagens dos comboios...).
Bem... também tinha, por vezes, os seus percalços: sei de quem tenha tido que sair para a empurrar... pois foi a única maneira de a fazer chegar a Guimarães! Juro ! Foi aí por 1974...

sábado, 16 de maio de 2009

As escolas e a(s) autarquia(s), 35 anos depois do 25 de Abril

O novo regime de gestão das escolas, uma das bandeiras do actual governo, é regulado pelo Dec.Lei 75/2008. No seu preâmbulo define-se como objectivo " a participação das famílias e das comunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino. É indispensável promover a abertura das escolas ao exterior e a sua integração nas comunidades locais."

E, mais à frente "Este objectivo é concretizado, no presente decreto-lei, através da instituição de um órgão de direcção estratégica em que têm representação o pessoal docente e não docente, os pais e encarregados de educação ( e também os alunos, no caso dos adultos e do ensino secundário), as autarquias e a comunidade local, nomeadamente representantes de instituições, organizações e actividades económicas, sociais, culturais e científicas".


Na composição do Conselho Geral (o órgão de direcção estratégica atrás referido) de acordo com o texto do decreto-lei, "tem de estar salvaguardada a participação de representantes do pessoal docente e não docente, dos pais e encarregados de educação, dos alunos, do município e da comunidade local"; o artigo 14º, que trata da designação dos representantes, estabelece que "os representantes do município são designados pela câmara municipal, podendo esta delegar tal competência nas juntas de freguesia"... O número 4 do mesmo artigo define que "Os representantes da comunidade local, quando se trate de individualidades ou representantes de actividades de carácter económico, social, cultural e científico, são cooptados pelos demais membros(...)".


Do (pouco) que tivemos a oportunidade de dar a conhecer das relações entre a autarquia local Junta de Freguesia de Vila das Aves e as escolas, ao longo de mais de 100 anos, parecia-nos legítimo esperar alguma consideração e respeito.

A Câmara Municipal de Santo Tirso, que dispôs de 3 representantes nos Conselhos Gerais Transitórios dos Agrupamentos de Escolas e da Escola Secundária, prepara-se para continuar a não abrir mão da faculdade de delegar na Junta de Freguesia algum dos lugares nos Conselhos Gerais definitivos, mesmo sabendo-se que (pelo menos) 2 dos seus 3 representantes serão funcionários sem autonomia de decisão relativamente aos assuntos a tratar no Conselho Geral e eventualmente desconhecedores do meio local...

Não é caso único, a nossa Câmara. Mas há-as, de todas as cores, a usar da prerrogativa da delegação.

Quanto aos representantes da comunidade, tem havido cuidados, ao que se sabe, para não deixar ao acaso a participação. O politicamente correcto terá sido (e será) nem lembrar a Junta...

Podemos concluir, com elevado grau de certeza, estão criadas todas as condições para uma nova forma de caciquismo municipal.

Qualquer forma de participação da Junta de Freguesia seria, nesta perspectiva, inconveniente.

( Note-se bem: falo da instituição Junta de Freguesia, não falo dos seus membros actuais. O respeito que merece a instituição é que deveria ser extensivo àqueles que o povo, democraticamente, nela colocou).