segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Regulamento da Fábrica do Rio Vizela, 1910 (4)

"Fiação
Disposições especiais
I - BATEDORES
1) Os operários desta secção deverão conservar as máquinas limpas e bem lubrificadas (...)
2) As mantas deverão ser diariamente pesadas (...)
II - CARDAS
(...)
2) Pelo menos cinco vezes ao dia se efectuará a limpeza das cardas.(...)
III -LAMINADORES ( Primores)
1) Cumpre aos operários empregados nestas máquinas vigiar que não se interrompa o serviço por falta de mecha das cardas e conservar as máquinas limpas e bem lubrificadas (...)
IV - TORCES
(...) 2) É preciso alternar e dispor as maçarocas de forma a não acabarem ao mesmo tempo nas estantes.
3) Não deixar nunca cair no chão as bobines nem as meter para debaixo das máquinas.
4) Os pedaços de mechas e restos de algodões que se retiram das máquinas serão guardados em bolsos nos aventais e lançados em caixas próprias.(...)
6) Quando as máquinas atirantam ou deslaçam as mechas, não devem os operários apertar ou desapertar o registo, mas chamar o encarregado para mudar a roda.
7) é proibido colocar as maçarocas em cima das tampas das solainas.(...)
10) Todos os sábados e vésperas de dias santificados devem ser aliviados os ganchos das solainas.
V - CONTÍNUOS, TORCEDORES E JUNATADEIRAS
1) Os operários destas máquinas deverão ter o máximo de cuidado com o serviço, de forma a não deixarem fios partidos, vigiar que não estejam fusos parados por falta de cordões e que as máquinas sejam limpas e bem lubrificadas. (...)
5) É proibido colocar as maçarocas a prumo e de forma nenhuma em cima das mesas das máquinas.(...)
VI - DOBADOURAS
(...) 2) Quando se dobar fio de nº. 8 para cima deve se alternar e dispor as bobinas ou canelas de forma a não se acabarem todas ao mesmo tempo.(...)
4) É preciso apanhar sempre os dois fios extremos da cadilha e juntar com o fio do encadilhamento.
5) Do fio nº 8 para cima, nunca deverá a cadilha ter menos de sete estalos.
6) Cada dobadeira levará à mesa da maçaria a sarilhada que tiver pronta, sendo pesada à vista da mesma.
VII - PRENSAS
1) Os operários destas máquinas e os que se empregam nos ganchos deverão olhar pelo bom andamento do serviço, não deixando misturar fio, trocar números e ter a maior atenção com o peso dos maços.(...)
NOTA IMPORTANTE - É proibido atirar ou jogar bobinas, canelas, carretas ou qualquer peça."

( Parece que a tecnologia básica se manteve inalterada, mas há algumas palavras a pedir explicações: sarilhada, estalos, cadilha, solainas,...)

Da Junta de Parochia à Junta de Freguesia 6

A Junta da Paróquia e as Igrejas de Romão e de Sobrado (2)

Ao que parece, o povo estava interessado em recuperar a igreja de Romão, então em ruínas. Não sabemos por que motivos o abade da freguesia se opunha a isso, mas calculamos que não deveriam ter nada a ver com a fé, antes com outros interesses mais palpáveis, materiais, talvez o receio de que com a restauração os fiéis começassem a ter ideias... Lembremo-nos que Romão e Sobrado tinham sido, não havia muitos anos, duas freguesias...
A corrente dentro da Junta que defendia as obras (e que já tinha demonstrado estar contra os processos do abade ou este contra eles), não desiste e em reunião de 7 de Agosto de 1898, delibera-se "reedificar a capella mor da egreja de Romão" por cincoenta mil réis". Estas obras viriam a terminar no final desse mesmo ano.
A pedra que restou destas obras viria a ser transportada para "o terreno solto junto da caza da aula" (em Quintão), pedra essa que serviria para fazer "o alinhamento separando o terreno expropriado pela Junta, do terreno do caminho de servidão dos consortes da agra da portella".
Em 21 de Maio de 1899," a Junta deliverou que achando-se riedificada a capella-mor da egreja de Romão e que sendo necessário colocar-se-lhe um piqueno altar (...) deliverou-se que sem perda de tempo se pedisse authorização respectiva para a construção do dito altar(...).
Apostada em tornar a capela de S.Lourenço de Romão, funcional, a Junta volta a deliberar, em 17 de Setembro deste mesmo ano, que "a madeira de um confecionário que se acha na secretaria fosse applicada para as portas do adro da capella de Romão, ou em outro qualquer reparo da mesma capella." Nesta reunião, foi deliberado ainda "consertar algumas alenternas pertencentes ao culto, (...) satisfazer a importãncia de dourar dous calix (...) mandar consertar algumas opas vermelhas e brancas, ficando encarregado o thesoreiro de mandar fazer os ditos consertos."
Quanto à capela de Sto André de Sobrado, (Foto) as actas referem que, na reunião de 7 de Janeiro de 1900, "foi presente um requerimento de vários moradores na aldeia, ou antiga freguezia de Sobrado, hoje annexa a esta de S Miguel das Aves, pedindo para que esta Junta lhe conceda que um sino piqueno existente na torre d'esta parochial egreja, seja collocado na sineira da egreja da dita, antiga egreja de Sobrado...".

domingo, 8 de novembro de 2009

Regulamento da Fábrica do Rio Vizela, 1910 (3)

"DISPOSIÇÕES GERAIS
1) No acto de admissão de qualquer operário, ao entrar pela primeira vez nas oficinas, os mestres gerais lerão ou mandarão ler este Regulamento. (...)
3b) Quando qualquer operário não se conforme com uma ordem que lhe seja dada pelo mestre ou encarregado, deve cumpri-la, ficando-lhe todavia ressalvado o direito de apresentar a sua queixa ou reclamação verbal no escritório, ou por escrito na Caixa de Queixas, que só poderá ser aberta pela direcção.(...)
10) Quando dentro da oficina forem encontrados dois ou mais operários conversando e sem atenderem ao trabalho, o mestre geral ou qualquer dos encarregados deverá pela primeira vez adverti-los e à segunda fazê-los retirar para fora do recinto da fábrica.(...)
12) Em caso de doença justificada será conservado o tear ao operário que nele trabalhe, quando a doença não exceder dois meses e prolongando-se a doença por mais de dois meses, se fará o possível por lhe conservar o tear mais alguns dias.
a) pelo facto de não se poder conservar o tear ao operário doente, este não deixará de ser admitido na fábrica quando a sua doença terminar. (...)
14) São considerados serviços extraordinários todos os que forem feitos fora das horas regulamentares do trabalho e, portanto, àqueles operários que trabalharem nestas condições ser-lhes-á pago o serviço e o tempo. (...)
19) É proibido aos mestres, contra-mestres e encarregados bater nos operários e ainda menos nos menores.
( Esta última disposição só indicia que bater nos operários seria coisa vulgar. E talvez ainda mais nos menores...)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Regulamento da Fábrica do Rio Vizela, 1910 (2)

"Todos os dias de trabalho, pela manhã, 30 minutos antes da hora de entrada, haverá um sinal de prevenção feito pelo silvo de vapor prolongadamente.
Antes 15 minutos da hora justa de entrada, haverá dois sinais de prevenção feitos pelo silvo de vapor, prolongadamente.
Antes 5 minutos da hora justa de entrada, haverá ainda um sinal de aviso; e à hora justa de entrada, marcada no horário, haverá o último sinal.
Os porteiros das diferentes oficinas deixarão entrar os operários com tolerância de 3 minutos. Passados os 3 minutos de tolerância, qualquer operário que queira entrar pagará 20 reis por um atraso de 1 a 5 minutos e 40 reis por um atraso de 6 a 10 minutos. Estas multas reverterão a favor da Associação de Socorros dos Operários.
Exceptuam-se as mulheres com filhos de peito, que terão a tolerância de um quarto d'hora, depois do último toque de sineta."

( O "silvo do vapor" é o "toque do canudo" do povo, que definiu as horas locais durante décadas. Só ao domingo não tocava o canudo...)

Regulamento da Fábrica do Rio Vizela, 1910

Horários
Fica havendo dois horários a funcionar durante todo o ano: Horário de Verão (25 de Março a 24 de Setembro) e Horário de Inverno ( de 25 de Setembro a 24 de Março).

Horário de Inverno: Entradas todos os dias da semana - 7 horas da manhã. Saídas todos os dias da semana, menos sábados - 7 horas e meia da noite. Saídas aos sábados: 3 e meia horas da tarde - param os motores às 2 e meia horas da tarde, para limpeza.
Refeições: Almoço, das 8 e meia às 9 horas da manhã. Jantar, da 1 às 2 horas da tarde, menos aos sábados, em que não haverá jantar.

( Por aqui também se vê que o almoço e o jantar já não são o que eram...)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Contrastes

Alminhas, Sobrado.
( " Nas (alminhas) de Sobrado, que são as melhores e que ficam do lado direito do portal da Quinta das Almas (...) representam-se as almas do Purgatório a serem salvas por Nossa Senhora do Carmo".)




Alminhas, Freixieiro.
( " Das de Freixieiro ainda resta o nicho, mas vazio, na casa da Laurinda Bica").

( citações de "S. Miguel das Aves, Monografia", do Padre Joaquim da Barca)

domingo, 1 de novembro de 2009

Posse da Junta e da Assembleia de Freguesia

Tomaram posse os cidadãos eleitos para a Assembleia de Freguesia e foi eleito o executivo da Junta e a Mesa da Assembleia. A cerimónia decorreu ontem, dia 31, na Junta de Freguesia.
O Executivo, presidido por Carlos Valente, é constituído por Óscar Ferreira, Elisabete Faria, Adílio Pinheiro e Cláudia Sousa. A mesa da Assembleia de Freguesia é presidida por Américo Luís Fernandes e tem como secretários José Patrício Correia e Maria Henriqueta Alves. São membros da Assembleia pelo PSD os seguintes cidadãos: Manuel Joaquim Monteiro, Rui Baptista, José Manuel Machado, Rafaela Torres, Júlio Torres e Vítor Martins. Pelo Movimento Unir para crescer foram empossados Joaquim Pereira e Sara Catarina Silva e pelo PS Luís Lopes e Bernardino Certo. Usaram da palavra em discursos de circunstância, para além dos presidentes da Junta e da Assembleia, Bernardino Certo, Sara Catarina Silva e José Manuel Machado. Largas dezenas de pessoas estiveram presentes na sessão.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ainda os efeitos da tralha

OS BURACOS


Não é por birra nem para chatear mas o que é facto, é facto, contra ventos e marés...
Prometido é devido!
Feito o zooom eis os buracos bem nítidos.
São pormenores dir-se-á. O problema é que, nesta terra, felizmente, parece haver cada vez mais gente que lhes dá valor...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Verdeal (2)

O recorte é de um Boletim Informativo da Junta de Freguesia de Vila das Aves datado de Outubro de 1997.

É sabido que as obras do Caminho de Ferro foram motivo óbvio de atraso na elaboração de ideias para a Quinta adquirida pela Câmara Municipal e que houve uma redução significativa do espaço disponível por cedência à Refer da área necessária aos arruamentos. Mas... Há ou não um projecto? A ideia inicial mantém-se ou já foi reformulada?
Curiosa é a forma como no texto de 1997 é caracterizado o Rio Vizela: "despoluído", com aspas e tudo...
Triste sina de um rio que, passados estes anos, continua poluído ( sem aspas) e nada convidativo à fruição das suas margens.
Na foto, é visível o "outdoor" já anteriormente apresentado. A sua colocação terá sido em 1997 ou ainda antes.




domingo, 25 de outubro de 2009

Da Junta de Parochia à Junta de Freguesia (5)



A Junta da Parochia e as Igrejas de Romão e de Sobrado (1)

Da leitura das Actas das reuniões da "Junta da Parochia" podem retirar-se alguns registos relativos à extinta Paróquia de Romão e mais propriamente à sua igreja, de que só resta o cruzeiro.
Assim, a primeira referência data de 23 de Dezembro do ano 1894, em que é aprovada a venda de dois altares da igreja de Romão "a apodrecer e a deteriorar-se completamente" e um sino da igreja de Sobrado "rachado em estado de se não poder fazer uso" e de dois castiçais velhos, também da igreja de Romão.

Mais tarde, a 13 de Fevereiro de 1898, fica-se a saber que foi proposto "se retirasse as árvores e vides existentes no terreno do adro da extinta egreja de Romão, visto achar indecente que num adro ou terreno donde se achão sepultados vários corpos esteja naquellas condições".
Esta proposta foi apresentada pelo vogal Narciso Ferreira Marques. O presidente (o pároco) não concordou mas as referidas árvores e vides acabaram por ser postas à venda em hasta pública.

Em 10 de Julho deste mesmo ano, o mesmo vogal, Narciso Ferreira Marques propõe (e é aprovado) que há "necessidade de reedificar a capella mor da extincta egreja de Romão annexa a esta freguezia". O presidente - abade Adriano Fillipe Moreira da Silva - de novo se opôs a esta ideia de obras nas capelas por as achar "desnecessárias".

sábado, 24 de outubro de 2009

Verdeal

O "outdoor"ainda permaneceu algum tempo enquanto arrancavam as obras de remodelação da Linha de Guimarães. Depois, sumiu-se...
A Quinta do Verdeal é da Câmara Municipal e foi adquirida para Parque de Lazer... Foi feito, ao que se sabe, um projecto, do qual nada se sabe...
Todos os partidos candidatos às eleições autárquicas locais referiram a Quinta do Verdeal. Todos os partidos representados na Assembleia de Freguesia referiram o Verdeal: "resolução definitiva do projecto", "requalificação da quinta", "reapreciação do projecto"... Perante tais posições pode esperar-se algum consenso para discutir o assunto juntamente com a Câmara de modo a encontrar uma solução?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

De Tralha em Tralha

Levantada a tralha, ficam os buracos onde fora implantada até, quem sabe, ser outra tralha de novo colocada. E assim se vão multiplicando os buracos e degradando cada vez mais os poucos (e maus) passeios desta terra.