quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

J.M.Almeida Garrett (3)

O Padre Joaquim da Barca refere-se ao sr. José Maria de Almeida Garrett como "figura de destaque da alta sociedade do Porto e de Lisboa" que foi, da tragédia Vieira de Castro, "o maior dos culpados e, pela misericórdia de Deus, o menos infeliz dos seus três grandes infelizes protagonistas, tragédia que deu brado em todo o mundo e que emocionou e apaixonou Portugal inteiro e o Brasil inteiro, e que atirara para a sepultura D. Claudina Guimarães Vieira de Castro, mulher ainda no verdor dos anos e muito cortejada, e para as costas de África, onde morreu, passado pouco tempo e quase na miséria, a seu marido, o Dr. José Cardoso Vieira de Castro, homem público de grande talento no manejo da pena e no uso da tribuna".
Não será injusto o Padre da Barca para com o seu professor da Escola da Carreira, ao considerá-lo o maior dos culpados da tragédia?
Para responder a esta questão é preciso investigar um pouco os antecedentes e, depois ler o processo judicial de Vieira de Castro, acessível na internet em ....

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

J.M.Almeida Garrett ( 2)

No livro "SANTO THYRSO DE RIBA D'AVE", publicado

em 1902, em Santo Tirso, pelo Club Thyrsense, o autor, Alberto Pimentel escreve:


"Na quinta da Carreira, freguesia de S. Miguel das Aves, que hoje pertence ao concelho de Santo Tirso, estabeleceu residência um dos primeiros sobrinhos do visconde de Almeida Garrett.


Refiro-me a José Maria de Almeida Garrett, que para ali voluntariamente se relegou arrependido e contrito, depois da tragédia Vieira de Castro.


José Maria fez doação da Quinta da Carreira a Dª.Matilde (....) Albuquerque, que em edifício próprio ali fundou, sob os auspícios do doador, o Colégio da Visitação de Santa Maria, onde é ministrado gratuitamente o ensino, havendo, porém, algumas pensionistas de instrução primária e secundária.(...)
A vida dele, em S. Miguel das Aves, decorreu serena e piedosamente, velando pelo Colégio e entregando-se a actos de devoção.


Saía pouco. Foi um ano à Póvoa de Varzim tomar banhos de mar e vinha algumas vezes a Santo Tirso, vila que ele dizia ser a mais bela que conhecia, tanto em Portugal como no estrangeiro.


José Maria, no seu testamento, feito a 24 de Setembro de 1894, declara ter especial devoção com a Sagrada Família ( Jesus, Maria, José) e querer ser amortalhado no hábito de S. Francisco.


Faleceu aos 12 de Julho de 1899."



Arrependido e contrito depois da tragédia Vieira de Castro..., diz o autor. Que tragédia foi essa e qual o papel do nosso Garrett?

sábado, 9 de janeiro de 2010

J.M. Almeida Garrett (1)

O Jornal de Santo Thyrso de 1 de Junho de 1882, numa notícia sobre exames, refere apresentação a exame da Instrução Primária quatro alunos da Escola Particular de S. Miguel das Aves. E diz ainda que, no exame desse ano, o sexo feminino foi só representado por uma menina, Virgínia Fernandes da Silva Guedes, "leccionada pelo Ilmo. Sr. José Maria de Almeida Garrett na sua escola gratuita de S. Miguel das Aves e fez um exame brilhante".

O Padre da Barca refere em S. Miguel das Aves - Monografia que a "segunda escola foi também particular e funcionou na Quinta da Carreira. Desta escola foi professor o gentilissimo e ilustradíssimo fidalgo o Sr. José Maria de Almeida Garrett. Muitos dos seus alunos deram sacerdotes, médicos, advogados, farmacêuticos, comerciantes e artistas de nome. E, paralelamente à escola do filho, tinha uma escola para meninas sua santa e fidalga mãe, a Sr.ª D.ª Angélica Isabel Cardoso Guimarães Almeida Garrett. (...) Eu fui um dos muitos alunos do Sr. Garrett."

Em Vila das Aves, Elementos para uma monografia , Fernando Marques de Oliveira transcreve o capítulo I das Actas do Mosteiro da Visitação: "José Maria de Almeida Garrett, descendente de uma ilustre família do Porto, frequentava a alta sociedade, levando uma vida desregrada e mundana. Enfim, sentindo-se cansado, deixou todas as pompas e vaidades do mundo e entregou-se todo à piedade, retirando-se, com sua santa Mãe, para uma casa de campo que possuía em S. Miguel das Aves ( Minho) no Norte de Portugal, onde viveu durante alguns anos a vida de um verdadeiro penitente".

Penitente, retirado em S. Miguel das Aves, ensinando gratuitamente crianças, depois de uma vida desregrada e mundana ... Qual a história deste Garrett?

domingo, 3 de janeiro de 2010

Os sinos

"Datam de 1932 0s actuais quatro sinos. Foram adquiridos por subscrição promovida por Bernardino Gomes, Arnaldo Gouveia e Luís M. de Carvalho. Foi seu fundidor Serafim da Silva Jerónimo, com oficina em Braga, na Rua do Corvo. Custaram 16 000$00 e os sinos antigos. (...) O maior, que tem o nome de S. Miguel e que está colocado na sineira da frente tem 677 kg de peso; o segundo, que tem o nome de Nª. Sª. de Fátima e que está montado na sineira do lado do Largo Conde de S. Bento, pesa 464 kg. O terceiro, que tem o nome de S. José e que fica na sineira do lado de Sobrado pesa 316 kg; o quarto, que tem o nome de Santo António e que ocupa a sineira do lado da Barca, pesa 264 kg. Foram subidos à torre na tarde do dia 17 do mês de Junho do dito ano de 1932. E houve fogo e tocou a banda da Fª. do Rio Vizela. São bons, foram benzidos e têm todos, em relevo, a imagem do santo seu padrinho."
(in " S. Miguel das Aves, Monografia", Padre Joaquim da Barca,MCMLIII)

sábado, 2 de janeiro de 2010

O toque dos sinos

" Os sinos tocam às Ave-Marias, ou às trindades; pela manhã, a meia aurora; ao meio dia e à noite - a meio do crepúsculo vespertino. E ao som das nove badaladas, os homens tiram o chapéu e quase todas as pessoas se benzem e rezam três Avé-Marias. E tocam para as missas, ao Senhor Fora, choram a morte dos adultos e festejam a dos anjinhos. E tocam a rebate nos incêndios e nos outros acidentes de gravidade. As funções dos sinos constam dos seguintes antiquíssimos versos:
Laudo Deum verum, populum voco, congrego clero, defunctum ploro, pestem fugo, festa decoro.
Em português:
Louvo ao Deus verdadeiro, chamo o povo, reuno o clero, choro os defuntos, afugento a peste, dou brilho às festas."
(in " S. Miguel das Aves, Monografia", Padre Joaquim da Barca, MCMLIII)

(Uma avaria do sistema de comando do toque dos sinos... acontece! Oportunidade para debater a função dos sinos e a sua pertinência hoje? Talvez....
Embora não consiga chamar o povo ( a prova é que a ninguém ocorreu levantar-se quando desataram a repicar uma destas noites...) ou congregar o clero, é de esperar que continue, reparada a avaria, a chorar os defuntos e a dar brilho às festas, assim louvando a Deus.
Mas, se bem recordo, o seu brilho era maior quando tocado pelo sineiro ou por um dos seus filhos que, de vez em quando, há cinquenta anos atrás, nos autorizava, miúdos que éramos, a assistir, lá em cima, à sua função...)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Janeiras

"No dia primeiro de Janeiro e na sua vigília é tradição antiquíssima cantarem as crianças as Janeiras, nas primeiras horas da noite, aos vizinhos e amigos, com o cheiro nuns tostões ou numa manada de figos.(...)

Eis um dos textos mais em uso (...):

Hoje é dia de Janeiro:
Por ser o dia primeiro,
É dia do nascimento
Quando Deus passou tormentos.

Os tormentos estão passados;
Jesus Cristo já vai nado;
Aí vem a estrela da guia;
Onde a Virgem pariria.

Pariu ela em Belém,
numa pobre majedoura;
Majedoura do boi bento,
onde o boi bento comia.

Mula fria resfriava,
o boi bento aquentava;
Maldição te boto mula
Que não pairas vez nenhuma.

E se alguma vez parires,
não vejas sol nem lua;
nem de noite nem de dia
nem ao pino do meio dia.

Glória seja a de Deus Padre
e a de Deus Filho também;
Glória seja a do Menino
Para todo o sempre ... Amen"

in S. Miguel das Aves - monografia, Padre Joaquim da Barca, MCMLIII

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Da Junta de Parochia à Junta de Freguesia 7

Ainda a Capela de Romão e outras capelas

Continuando a percorrer as actas da Junta deparamos com a de 4 de Março de 1906, na qual foi lido um "Requerimento do parochiano José Rodrigues do logar de Romão e outros em que é pedido à Junta para que dê providência sobre uma ramada que sobre o caminho público e defronte da capella do mesmo logar de Romão anda construindo a sra. Roza da Silva Pinheiro do mesmo logar."
Em reunião posterior, de 18 desse mesmo mês, "foi por maioria de votos resolvido que a referida sra. Roza da Silva Pinheiro não podesse ter ramada sobre esse caminho por o mesmo ser a serventia para a capella que ali existe e hoje annexa a esta freguezia de S. Miguel das Aves e por não ter documentos que o contrário provasse. O prezidente declarou que sendo parocho d'esta freguezia há mais de doze annos sempre alli viu no caminho alludido a referida ramada e como, não tendo a Junta da minha presidência projecto algum de melhoramentos no referido caminho, acha violento e sem proveito para ninguém que elle ordenasse a sua remoção e por isso, não querendo prejudicar ninguém se assigna vencido. O vogal Alfredo da Silva Araújo (foto), votando como o prezidente assigna-se também vencido. Os vogais padre António José Ferreira, António José Rodrigues e Joaquim Martins Ribeiro, votaram contra o prezidente e contra o vogal (...) por entenderem que as referidas obras podem mais tarde redundar em prejuízo da freguezia."
A Junta de Parochia seria extinta com a 1ª República, dando lugar a 9 de Novembro de 1910, a uma "Comissão Parochial Administrativa (...) obedecendo às leis do regime actual - República".

domingo, 27 de dezembro de 2009

Fotos antigas

Uma das vantagens da aquisição do Amieiro Galego pela freguesia é a de retomar um acesso ao Rio Ave.
Praticamente já não havia acesso ao Rio Ave.
Noutros tempos podíamos caminhar pela margem em caminhos de pé-posto do Amieiro Galego até à Barca e havia vários sítios por onde aceder ao rio.
Para desfrutar o rio como se fazia há quarenta anos é necessário acessos adequados.
O Amieiro Galego pode ser um deles.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Boas Festas


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Amieiro Galego

Foi efectuada hoje, 23/12/2009, a escritura da parcela de terreno onde se situa a nascente termal do Amieiro Galego a favor da Freguesia.

Parabéns aos avenses e aos seus autarcas.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Amieiro Galego

O sr. Dr. Aurélio Fernando, natural de Lordelo e morador em Riba d'Ave escreveu sobre o Amieiro Galego no livro cuja capa se reproduz:
"Águas termais de Amieiro Galego-
Na margem esquerda do Rio Ave que limita pelo Norte a Vila das Aves e mesmo em frente à Central Hidro-Eléctrica de Amieiro Galego, existe uma nascente natural de águas sulfurosas que o público da região e arredores vem utilizando com bons resultados para variadíssimas afecções e a fama destas águas ricas em enxofre estende-se já a uma larga região, não nos sendo possível desenvolver aqui os casos brilhantes de curas extraordinárias, especialmente entre doenças de pele. Situadas mesmo ao lado de uma lindíssima queda de água, num lugar muito pitoresco e turístico, o terreno onde elas são é pertença da grande Empresa Sampaio Ferreira & Ca. Lda. Ora o Conde de Riba d'Ave com seu irmão Alfredo Ferreira, tendo conhecimento de que as referidas águas estavam a ser utilizadas por grande número de doentes que desde o romper do dia, mesmo sem condições de acondicionamento devidas, resolveram levantar ali mesmo um pavilhão ainda que provisoriamente apetrechado com cabines e requisitos sanitários indispensáveis e aberto com êxito ao público. As novas instalações de água quente levaram apreciável número de banhistas às novas termas. Tal sucesso, leva a que a gerência de Sampaio Ferreira & Ca.Lda. cedesse a exploração das referidas águas à Fundação Narciso Ferreira como uma nova fonte de riqueza e valor moral: um novo estabelecimento termal. As novas termas permitiriam os mais variados tratamentos, segundo informação médica, desde doenças epidérmicas às reumáticas e respiratórias. Para uma arrancada definitiva desta empresa muito contribuirá a nova rede que brevemente será empreendida e que ligará Bairro à Vila das Aves e freguesias contíguas. Ainda temos a esperança de que alguém da Fundação ou de outras entidades responsáveis possa valorizar o Vale do Ave ainda mais com a implementação e aproveitamento destas termas".
O livro donde foi retirado este excerto tem data de 2005. Mas é muito provável que este texto tenha sido escrito muitos anos mais cedo. Talvez no final da década de sessenta do séc. XX, atendendo a algumas referências do texto.
Fica o registo.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Estranha forma de agir...


Somos pela nossa terra. Somos por tudo o que é da nossa terra.

Mas ser pela nossa terra é também exigir clareza, clarividência e rigor de todos os outros que se supõe serem também pela nossa terra. Vem isto a propósito da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila das Aves realizada hoje. As objecções levantadas, relativamente ao processo eleitoral exigiam uma atitude diferente dos Orgãos Sociais.

Foi conscientemente esquecida a alteração estatutária aprovada em Setembro de 2008, na sequência de aprovação anterior de legislação que obrigava a adequação dos Estatutos aos novos preceitos legais e ....
...realizou-se o acto eleitoral, ao que consta, segundo os preceitos dos Estatutos antigos....

Estranha forma de agir...