domingo, 21 de fevereiro de 2010

Depois da Meia Noite - Romance


de Joaquim Ferreira Neto, 1923 - 2003

Ao Brigadeiro Aires Martins

Edição de 1969

Composto e Imp. na Tip. das Aves



210 Páginas

É um prazer encontrar um livro como este de Ferreira Neto, que, sem se perder em localismos, (e verbalismos sempre abstractos e perigosos) mantendo continuamente a compreensão, nos dá uma prosa variada, original, viva, tão cheia de vida como a temática a que dá expressão.
As histórias do romance são arrancadas ao povo da região de Entre Douro e Minho (e às sombras escondidas de duas grandes cidades, Lisboa e Luanda) e como nos surgem verdadeiras e imprevistas! São autênticos seres humanos que respiram nas páginas deste livro, integrados num mundo que os define sem os limitar...

In Jornal das Aves

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Arnaldo Gama (4)

JM, um amante da escrita e dos livros e sempre atento e dedicado às questões da nossa terra, deu-me a conhecer "Dois escritores coevos - Camilo Castelo Branco e Arnaldo Gama", de Augusto Gama, livro de 1933, onde se encontra reproduzida uma aguarela do autor relativa à Quinta de S. Miguel das Aves.

Augusto Gama, filho de Arnaldo Gama, refere: " A quinta do Outeiro, em S. Miguel das Aves, concelho de Santo Tirso, pertencia ao meu avô e era o retiro favorito do meu pai nas suas férias de Coimbra, sendo dali que colheu os principais elementos para " O segredo do Abade" e " O Sargento-mór de Vilar".

" O lugar é inteiramente diferente de S. Miguel de Seide, pois é alegre e povoado, correndo-lhe perto o rio Ave."

Augusto Gama conta também a sua passagem pela quinta, em duas ocasiões separadas: 1872 e 50 anos mais tarde... Assim:

Eu fui lá em 1872, tinha treze anos, acompanhado por uma velha criada da família, encarregada por meu avô de transmitir ao caseiro, o António do Outeiro, umas ordens e de verificar a sua execução.
Estive ali oito ou dez dias.
Era uma propriedade genuinamente minhota, pitoresca e alegre, cujas entradas, a principal e a dos caseiros, deitavam para um souto de grandes e antigos carvalhos.
Entrando pela porta principal, deparava-se uma larga avenida , ladeada de muros cobertos de limoeiros, por detrás dos quais, à direita era o jardim e o pomar, e à esquerda a eira e as suas dependências.
Ao fundo, em frente e a toda a largura, um muro com uma larga cancela, a abrir sobre as córtes e a as casas do caseiro; e à direita a casa de habitação, com a sua escadaria em quadrado, a dar acesso à sala principal.
Toldando a avenida, uma grande ramada de castanho em forma de maceira."
(...)
Essa propriedade foi vendida por morte de meu avô e, durante muitos anos, não voltei lá.
Passados cinquenta anos, eu tinha reminiscências completas de tudo; e , com uma grande vontade de rever aqueles sítios, para lá larguei de S. Miguel de Seide.
Conheci logo o Souto; e vendo a porta dos caseiros aberta, reconheci a casa.
Obtida a necessária licença do caseiro, entrei. Tudo na mesma, como há cinquenta anos! Apenas foi substituída a velha ramada de maceira por uma de ferro em arco.
De resto, a mesma avenida, os mesmos muros, a mesma casa e o mesmo jardim com o seu poço de roldana ao centro.
Que saudades!
(...)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Arnaldo Gama (3)

De "O Segredo do Abade", de Arnaldo Gama:"
E aquele nosso tão desassombrado outeiro de ao lado da igreja de S. Miguel das Aves - recordas-te, amigo? É impossível que não te lembres bem dele, tu poeta do amor e da natureza, que sabes libar gota a gota as doçuras suavísimas da vida de família, a felicidade da vida íntima, a única real neste mundo; tu que, já nessa época e em frente daquele dulcíssimo panorama, formaste um desejo, que implicava o sacrifício das fogosas aspirações dos vinte e quatro anos à vida do coração, toda amor e toda poesia. Felizes aqueles que nascem assim! "

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Arnaldo Gama (2)

Ainda de "O Segredo do Abade", de Arnaldo Gama:
"E a nossa linda igreja e o nosso formosíssimo outeiro? Ei-los, lá estão, amigo; - ela no meio daquele deleitoso e copado bosque de carvalhos e castanheiros, que a abraça por três lados, mas com a frente desassombrada a olhar para as campinas d'além do Ave; ele, donairosamente erguido a distância, vendo-a, à esquerda, ao sopé, e mais ao longe, lá em baixo, a imensa planície do outro lado do rio, repartida em campinas..."

Naturalmente, a foto da Igreja não condiz com a descrição que Arnaldo Gama faz: o bosque de carvalhos e castanheiros passou a bosque de plátanos e tílias... Informa o Padre da Barca (S. Miguel das Aves, Monografia, 1955) que "todos os terrenos que cercam a Igreja foram comprados ao Estado por 1200$00, em 1922, pela Junta da presidência de Bernardino José Moreira Garcia, o que foi uma providência, e medem 12 000 m2".
Um palpite: os terrenos referidos terão sido "nacionalizados" na República e por essa altura foram-se os castanheiros e os carvalhos... e, com a compra, em 1922, repovoou-se o espaço, agora com tílias e plátanos...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Arnaldo Gama (1)

Arnaldo Gama (1828 - 1869) foi um jornalista e escritor do Porto que passou largas temporadas em S. Miguel das Aves, na Quinta do Outeiro, propriedade de seu pai. Nas suas andanças por cá recolheu materiais para alguns dos seus romances baseados em factos históricos relacionados, sobretudo, com as Invasões Francesas.

Em "O Segredo do Abade", Arnaldo Gama escreve na primeira pessoa: "Lembras-te, amigo, daquela espaçosa e amena planície, que, a principiar do aprazível e delicioso lugar, onde o Ave opulenta e engrossa a corrente com as águas claríssimas do Vizela, se estende para nordeste, abraçada como península pelos dois rios, partida em várzeas e campinas graciosas, e variada por outeiros e colinas vicejantes? Oh que saudades que tenho daqueles dias..."

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Escritos...

Na Avenida Conde de Vizela...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Escritos...

No Amieiro Galego, desde 1975...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Escritos.

Na Rotunda de S. Miguel.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Escritos.

Na rua Silva Araújo, a Marcha de Santo Honorato.

domingo, 31 de janeiro de 2010

S. MIGUEL DAS AVES NAS ACTAS DA JUNTA


Ainda as Capelas de Sobrado e de Romão (2)

As tensões crescentes entre o poder religioso e o poder civil decorrentes da implantação da República (1910), percorreram a nação lusa a todos os níveis até ao autárquico. Essa tensão manifesta-se também na "Comissão Parochial Administrativa" que, transitoriamente, substituiu a extinta "Junta de Parochia".
Em acta de 9 de Junho de 1912, pode ler-se: "A Comissão deliberou pedir a demissão atendendo a que, tanto o presidente como os seus vogais, julgando-se homens de carácter, não podem de forma alguma admitir a coacção que sobre as suas atribuições se está exercendo por pressão completamente estranha a elles."
Na mesma acta, pergunta-se a seguir "com que direito se apossou das chaves da egreja de Sobrado o reverendo Adriano Filippe Moreira da Silva? Com que direito vai apossar-se, segundo consta, das chaves da capella de Romão?"
No ano seguinte, em 13 de Dezembro, regista-se que foi anunciada a ida à praça (leilão) da capela de S. Lourenço de Romão no dia 18 de Janeiro de 1924, ao meio dia ,na Direcção d eFinanças do Porto. Na reunião desse dia, foi também decidido enviar um ofício à "Comissão Central da Execução dos Bens das Egrejas protestando contra a venda da dita capella e pedindo-lhe ao mesmo tempo a sua entrega à mesma Junta de Freguezia."
Penso que foi aqui que, o que restava da antiga igreja de Romão passou, definitivamente, para as mãos de particulares.

* Na foto, vê-se a base do actual Cruzeiro de Romão que penso ser contemporânea da igreja de Romão.

Monarquia e República: o 31 de Janeiro

A 31 de Janeiro de 1891 deu-se no Porto o primeiro movimento revolucionário que visava a implantação da República.
Só em 1910 esse objectivo foi conseguido, comemorando-se, durante o presente ano, o centenário do acontecimento.

Em Novembro de 1908, D. Manuel II, Rei de Portugal, visitou o Norte do País e foi recebido na Fábrica do Rio Vizela, como se documenta na foto... Uma festa ... real, é bom de ver...
E, então, a República? Como foi recebida, em 1910?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Arqueologia...

Firme e hirto mas sem função iluminante, este objecto arqueológico é o que resta da iluminação pública dos anos sessenta do séc. XX.

Haverá outros, ainda?