quarta-feira, 7 de abril de 2010

Dia nacional dos moinhos

Há cerca de quarenta anos, na margem direita do Rio Vizela, ali para as Carvalheiras, ainda funcionava esta roda na Azenha do Pisco.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Vila das Aves,


55º aniversário em dia de Páscoa...


sábado, 3 de abril de 2010

Vila das Aves,

55º aniversário...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Indústria, início do sec.XX (6)

O texto de 1902 de Alberto Pimentel, transcrito nos posts anteriores, refere a certa altura que "o vapor substituiu a água" e que a água do rio Vizela "serve para o consumo das oficinas, sem que todavia seja aproveitada como motor".
De facto, no seus primórdios, a fábrica dependia da energia da água para movimentar os seus sistemas mecânicos; na fase descrita por Alberto Pimentel, o vapor (produzido em caldeiras, com queima de carvão) substituiu a água na movimentação dos sistemas mecânicos (máquinas a vapor). O factor determinante da localização inicial da indústria (existência de queda de água (açude)) deixa de ser determinante. Passa a ser determinante a localização junto do caminho de ferro. O depósito do carvão (foto) é abastecido directamente dos vagões do caminho de ferro e o abastecimento à fábrica é feito por vagonetas puxadas por mulas. A água a transformar em vapor seria, naturalmente, a do rio.
À data em que Alberto Pimentel escrevia, uma grande mudança tecnológica se aprestava para transformar todo a descrição da indústria: a energia eléctrica, de origem hídrica, tornando novamente determinante ( pelo menos parcialmente...) a localização que a fábrica já tinha.
( A primeira fábrica têxtil concebida desde o início para utilizar energia eléctrica foi a Textil Electrica, de Bairro, em 1905. A Fábrica de Negrelos construiu a sua central em "Monte", S. Miguel das Aves em 1908. Mas, não terá começado mais cedo a produzir electricidade?

Indústria, início do sec.XX (5)


" A fábrica produz panos crús, cotins, riscados, etc, e deve ser considerada uma das primeiras do país.

A princípio lutou com embaraços, porque todas as iniciações da actividades industrial são difíceis e demoradas, mas, segundo me consta, tem chegado a distribuir, nos últimos anos o dividendo de 30%.

Está montada com os maiores melhoramentos modernos, que os progressos da mecânica têm introduzido neste género de estabelecimentos.

Além disso, o asseio das suas oficinas é inexcedível.

Bastará dizer que a casa das máquinas é geralmente conhecida pela designação de "sala de visitas", tamanho é o apuro das suas condições higiénicas.

Fora do portão da fábrica, para o lado da estação de Negrelos, há uma instalação destinada ao depósito de algodão de de carvão, bem defendida por grossas portas de ferro.

Também fora da fábrica, na estrada de Santo Tirso a Guimarães, há um depósito de água, para acudir de pronto a qualquer incêndio ocorrente"

Alberto Pimentel, Santo Thyrso de Riba d'Ave", 1902

quarta-feira, 31 de março de 2010

Indústria, no início do sec.XX (4)


Passa pelo meio da fábrica o rio Vizela, cuja água serve para o consumo das oficinas, sem que todavia seja aproveitada como motor.

Para este efeito, o vapor substituiu a água.
Não seria fácil descrever a beleza do estreito rio Vizela, marginado de amieiros, junto à ponte que se avizinha da fábrica e que por ela foi mandada fazer.
É um deliciosos trecho de paisagem que, visto uma vez, não esquece mais.
O Vizela junta-se ao Ave no sítio dos Caniços, denominação já conhecida no princípio da monarquia.
A fábrica de Negrelos, que gira sob a firma Cabral, Vavasseur, Soares e Monteiro em Comandita, temo como actual director o sr. Honoré Vavasseur, nela residente.
Fundada em 1845, os seus principais iniciadores foram António José Cabral, avô do actual conde de Vizela e Eugene Cauchois, irmão do avô materno do sr. Honoré Vavasseur.
Houve ainda outros sócios, cujos nomes não pudemos apurar.
Alberto Pimentel, Santo Thyrso de Ribad'Ave, 1902

segunda-feira, 29 de março de 2010

Indústria, no início do séc.XX (3)

" É o sol, ao nascer, que faz reunir toda essa enorme população flutuante; é o sol, ao mergulhar no ocaso, que a dispersa por estradas e freguesias diferentes.
Dir-se-ia uma milícia de trabalhadores que vai ser aboletada nas suas próprias casas, a fim de tomar descanso durante a noite, e voltar à fileira na manhã seguinte, mais fresca, mais laboriosa e mais aguerrida para as batalhas incruentas da Paz e do Trabalho.
A fábrica de Negrelos dá-se sempre a impressão de nos proporcionar a realidade viva de um daqueles romances em que Ocatvio Feuillet e Jorge Ohmet descreveram as lutas e os triunfos da indústria moderna contra os velhos preconceitos da fidalguia decadente.
Passa pelo meio da fábrica o rio Vizela ...
Alberto Pimentel, Santo Thyrso de Riba d'Ave, 1902.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Indústria, no início do séc. XX


"nas três grandes chaminés que se alongam no ar como outras tantas torres esguias, coroadas de penachos de fumo negro e ondulante; na linha férrea que estabelece comunicação privativa entre a fábrica e a estação de Negrelos; e também no cuidadoso amanho das terras adjacentes, onde logo ferem a vista os parreirais dispostos em socalcos solidamente murados.

A fábrica de Negrelos não deu origem a uma nova povoação ou colónia, como tem acontecido em outros pontos do país, porque todos os seus operários residem nas freguesias mais ou menos próximas, Burgães, Rebordões, S. Tomé, S. Miguel das Aves, Roriz, S. Martinho, S. Salvador do Campo e Vilarinho, do concelho de Santo Tirso; Lordelo e Moreira de Cónegos, do concelho de Guimarães.



Mas a fábrica, já em si mesma, é uma grande cidade, muito povoada durante o dia, e guardada de noite por alguns empregados que têm domicílio nas dependências das vastas edificações."



Alberto Pimentel, "Santo Thyrso de Riba d'Ave"

terça-feira, 23 de março de 2010

Indústria, no início do Séc. XX

"Esta fábrica, que se estende desde a freguesia de S. Tomé de Negrelos até à de S. Miguel das Aves, ambas do concelho de Santo Tirso, constitui hoje um vasto empório industrial, uma espécie de extenso condado medievo em que o poder fecundo do Trabalho viesse substituir a imobilidade improdutiva da Nobreza.
Como os antigos castelos e mosteiros, que possuiam dilatados coutos, está rodeada de amplos territórios que lhe pertencem, e que ela explora industrial e agricolamente.
O Trabalho afirma-se ali sob todos os aspectos da actividade moderna: na vastidão descomunal do edifício, que se divide em "fábrica velha" e "fábrica nova"(...)"

Alberto Pimentel, em "Santo Thyrso de Riba d'Ave"

domingo, 21 de março de 2010

De Famalicão para Santo Tirso

O Decreto de 23 de Junho de 1879 que anexou S. Miguel das Aves ao concelho de Santo Tirso foi precedido de debate parlamentar, nas Cortes.
O Boletim Cultural "O Concelho de Santo Tirso" ( Vol.V, 1956) publicou o documento que serviu de base ao referido decreto. Reza assim:
" Senhores: os habitantes da freguesia de S. Miguel das Aves, em número de 127, acabam de representar sobre a justiça e conveniência de ser aquela freguesia anexada ao concelho de Santo Tirso. Consta aquela freguesia de 243 fogos, a que correspondem 934 habitantes de ambos os sexos, segundo o censo da população a que ultimamente se procedeu, e tem o concelho de Vila Nova de Famalicão, a que ora pertence, 28.767 habitantes, enquanto o de Santo Tirso conta 21.539. Donde resulta que o pedido de anexação não prejudica a existência do concelho de Vila Nova de Famalicão. - Por outra parte, os cidadão peticionários aduzem a seu favor razões de muita importância, por onde mostram ser de todo o ponto digno de atenção o seu pedido, tais como estarem mais em contacto e em mais estreitas relações com Santo Tirso e o ser a distância, para chegarem ali, muito menor e muito mais fácil de percorrer, do que a separa de Vila Nova de Famalicão. - Por isso, e porque o poder legislativo é hoje exclusivamente competente para autorizar a desanexação pretendida, que, como outras já votadas, traduz uma aspiração legítima dos habitantes da freguesia de S. Miguel das Aves, a vossa comissão, usando da iniciativa que lhe compete, e de acordo com o governo, tem a honra de submeter à vossa ilustrada apreciação e aprovação o seguinte:



"Projecto de Lei: (texto da Lei tal como foi aprovado)"



Continua o Boletim Cultural: este projecto é datado de 29 de Março de 1879 e assinado pelos deputados Francisco de Abreu Mesquita e Castro, Manuel Arala, Henrique de Paula Medeiros, Júlio de Vilhena, António Teles de Vasconcelos, Manuel de Assunção, Adriano José de Carvalho e Melo e António Pedroso dos Santos (relator).

sábado, 20 de março de 2010

A Capela da Senhora da Sêca (1)


As origens da Capela da Srª da Sêca, existente no lugar de Luvazim, lado de Lordelo,remontam, segundo o Dr. Geraldo Coelho Dias, ao séc.XVI.
Inicialmente, a capela pertenceu aos párocos das Aves, embora estando construída em terras de Lordelo.
Em finais do séc.XIX, a posse da capela transfere-se para os donos da Quinta de Dentro, em cujas terras estava implantada. O primeiro proprietário terá sido, ainda segundo Coelho Dias, Narcizo José Coelho que a deixou ao irmão, padre Augusto José Coelho, morador em Luvazim.
A quinta, e com ela a capela,viriam a ser herdadas por uma sobrinha deste padre, Florinda Rosa Machado e posteriormente passaria para Maria da Conceição Coelho Ferreira Machado.
Apesar de particular, a capela continuou a ser frequentemente usada pelos párocos das Aves para a realização de actos litúrgicos.
A Srª da Sêca (ou Seca) era "advogada das Chuvas; quando os verões se extremavam e a água faltava nos campos e nas casas, fazia-se uma procissão com a sua imagem a implorar pelas chuvas. Houve até uma festa anual em sua honra de que eram juízas, senhoras da aldeia, alternadamente do lado das Aves e do lado de Lordelo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Fotos antigas

O arco da Ponte Nova e o canudo da Traineira por volta de 1950.