terça-feira, 5 de outubro de 2010

Há 100 anos, a República...

O jornal "Ecos de Negrelos" tem vindo a publicar, nas suas edições mais recentes, o folhetim que o Padre Álvaro Guimarães escreveu em 1921 para o "Ecos de Negrelos" de então, um semanário que se publicava em ... S. Miguel das Aves. Descrevia ele, nesse folhetim, as agruras por que passaram os presos políticos tidos como autores do movimento contra-revolucionário conhecido por Monarquia de Santo Tirso ( Setembro de 1911).
Conta ele, dos dias passados na cadeia: " Durante o dia, tinhamos uma distracção, era quando, ouvido o sinal de aproximação de alguma força militar, vinhamos ao fundo da escada receber num abraço um novo companheiro de desgraça!".(...) Nesta prisão foi-me insinuado fazer uma declaração da fé republicana e declarar-me disposto a aceitar a pensão, afim de ser posto em liberdade. Não posso deixar de referir-me neste lugar ao nosso bom companheiro C. Mallen, que passava todo o tempo numa inquietação extraordinária, e toda a noite tomando chávenas de chá. Uma noite em que se disparara a arma da sentinela, esse bom amigo, numa aflição impossível de descrever, bate-nos à porta e, arquejante, só tem força para dizer: "ouviram? É um tiro". Imaginava ele que qualquer dia seríamos fusilados.
Chegou o 5 de Outubro, dia de festa para um regimen cujos adeptos outrora apregoavam essas sedutoras palavras :- liberdade, igualdade, fraternidade. Às 8 horas da manhã, na cadeia de Santo Tirso, entrou um oficial do exército e intima a estarem prontos, dentro de uma hora, a fim de seguirem para o Porto, os seguintes presos (...) . Da estação de S. Bento, no Porto, até ao Aljube, fomos constantemente apodados de garotos, asassinos, traidores, vendidos, etc, etc... e arremessavam-nos às faces imundícies levantadas das ruas.

Há 100 anos, a República...

Retomo o texto do Padre da Barca ( S. Miguel das Aves, Monografia, 1953):
"Ainda são muitos os nossos lares onde há os retratos dos últimos reis e a coroa da realeza. Também abalou muito a nossa gente a prisão, pelos carbonários, de alguns avenses, como implicados no movimento revolucionário de 29 de Setembro de 1911 - Monarquia de Santo Tirso. Eis os nomes dos presos, alguns dos quais andaram pela cadeia de Santo Tirso, Forte de Caxias, Forte do Alto do Duque, Trafaria, Limoeiro e Relação do Porto e depois absolvidos em julgamento, no Tribunal de S. João Novo: Padre Álvaro Guimarães - coadjutor da freguesia, Padre Joaquim Carlos de Lemos, Miguel de Jesus Pinheiro e Melo, Padre Augusto José Coelho, Constantino Malen, José Gomes e Joaquim Pedrosa".

Na foto: operários da Fábrica do Rio Vizela, cerca de 1900(?).

domingo, 3 de outubro de 2010

Há 100 anos, a República.

O Padre Joaquim da Barca, no seu livro "S. Miguel das Aves, monografia", (1953), refere-se assim à proclamação da República, falando da nossa terra:
"E que doloroso desgosto não foi para ela o baquear da monarquia em 5 de Outubro de 1910. Porque sabia que foi um rei, que lhe foi vizinho, que fez Portugal a golpes de audácia e a golpes de espada, e porque sabia que as mais brilhantes páginas de história pátria tinham sido escritas à sombra do ceptro, a nossa gente pensou que a Nação morreria com a morte da monarquia."

sábado, 2 de outubro de 2010

Há 100 anos, a República...

Comemoram-se 100 anos de República. A visão que nos apresentam as comemorações oficiais é uma visão "branqueada" que transforma um período histórico de violência e conflito numa revolução limpa e sem mácula... Salazar terá dito anos mais tarde que "simultânea ou sucessivamente, meio Portugal acabou por ir parar às democráticas cadeias da República, a maioria das vezes sem saber porquê" ( ver Vasco Pulido Valente em prefácio de"O Poder e o Povo").
Aquilo que interessa, do ponto de vista de um blogue com pretensões de registar a história local, é saber como foi o período da implantação da República nas terras de Entre Ambos os Aves.

Já referimos aqui a recepção na Fábrica do Rio Vizela ao jovem monarca D.Manuel II, em 1908...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Não teria sido...

...bem mais consistente e convincente se a publicidade que enche de há uns tempos a esta parte os enormes outdoors que se encontram um pouco por todo o concelho, contivesse o que o valoroso Armindo disse!...

Ps: Faça clic na imagem para ver melhor.

domingo, 19 de setembro de 2010

António Martins Ribeiro (1)

Nasceu há 130 anos (19 Set 1880) o grande benemérito da Vila das Aves, que faleceu em 1966.
No seu testamento, nomeava a Comissão da Fábrica da Igreja da sua freguesia, "que deverá com os respectivos bens fazer todas as obras necessárias na Igreja Paroquial, destinando tudo o mais a beneficiência, inclusive a criação de um asilo para velhos ou inválidos ou o que mais convenha à freguesia".
O "Lar Familiar da Tranquilidade" e o seu "Centro de Apoio António Martins Ribeiro" são o resultado mais expressivo do legado do benemérito, que nesta data foi relembrado de forma singela pela direcção e pelos utentes da instituição. Uma cerimónia muito simples assinalou a inauguração da placa toponímica do Largo António Martins Ribeiro, no lugar da Carreira.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Manoel da Silva Mendes (2)

A data de nascimento referida no blogue Macau Antigo não está correcta. O escritor nosso conterrâneo nasceu em 1867, como regista o Padre da Barca na sua monografia, e não em 1876. Mas também está errada a monografia, pois regista 30 de Novembro como data de nascimento, naquele ano de 1867...

Os livros de registo de baptismo da paróquia de S. Miguel das Aves estão disponíveis no site do Arquivo Distrital do Porto e uma pesquisa nesses livros permitiu-nos esclarecer de forma definitiva que Manoel da Silva Mendes nasceu a vinte e três de Outubro de 1867. "Aos vinte e cinco dias do mês de Outubro do ano de mil oitocentos e sessenta e sete, nesta Igreja paroquial de S. Miguel das Aves, concelho de Vila Nova de Famalicão e diocese de Braga, baptizei solenemente com imposição dos santos óleos, um indivíduo do sexo masculino a quem dei o nome de Manoel e que nasceu nesta freguesia às quatro horas da tarde do dia vinte e três do dito mês e ano, filho legítimo primeiro deste nome de José da Silva Mendes, tamanqueiro, e de Rosa da Silva Pinheiro, ele natural da freguesia de Romão anexa a esta de S. Miguel das Aves, ela da freguesia de Delães".

Manoel da Silva Mendes (1)

O blogue "Macau Antigo", ( ao lado: printscreen do blogue) em entrada de 22 de Abril de 2009, apresenta Manoel da Silva Mendes como um dos intelectuais mais representativos da história de Macau no primeiro quartel do século XX.
Foi professor e reitor do Liceu de Macau, advogado e juiz, presidente do Leal Senado, escritor e coleccionador de arte chinesa
Manoel da Silva Mendes nasceu em S. Miguel das Aves quando esta freguesia ainda era parte do Concelho de Vila Nova de Famalicão e é tido, por isso, como "escritor famalicense".
Manoel da Silva Mendes era um dos seis filhos do casal José da Silva Mendes e Rosa da Silva Pinheiro e "era humilde o lar destes dois avenses, instalado numa velha casa junto da Igreja paroquial da antiga freguesia de S. Lourenço de Romão. Mas, apesar de humilde, fez dos seis filhos varões que Deus lhe dera, homens de real valor: dois sacerdotes, dois advogados, um médico e um farmacêutico. (...). Todos seis foram discípulos, nas primeiras letras, do José Maria de Almeida Garrett, na sua escola gratuita da Carreira( S. Miguel das Aves - Monografia, Padre Joaquim da Barca, 1953).




sexta-feira, 16 de julho de 2010

Estatutos do Club Desportivo das Aves - 1939 (5)


CAPÍTULO VI

Direitos e regalias dos sócios


(continuação)


(...)

g) Será considerado como sócio de 1ª Classe o sócio Atleta que tenha feito parte do grupo d'Honra por tempo superior a cinco épocas consecutivas;

h) Será classificado como sócio de 2ª Classe o sócio Atleta que tenha feito parte, alternadamente, dos grupos d'Honra e Reserva por tempo superior a cinco épocas consecutivas;


i) Será classificado como sócio de 3ª classe o sócio Atleta que tenha feito parte do grupo Reserva por tempo superior a cinco épocas consecutivas;


j) Quando qualquer Atleta se lesionar e ficar impossibilitado, permanentemente, de praticar desporto - o que terá de ser justificado pelo médico do Club - ficará a gozar das regalias concedidas aos sócios de 1ª Classe, mesmo que não tenha completado as cinco épocas;


k) Os sócios Atletas que beneficiem destas regalias ficam também isentos do pagamento de cota;


l) Só poderão gozar das regalias concedidas pelas alíneas g, h, e i os sócios Atletas que tenham tido bom comportamento;


m) Nenhum sócio Atleta poderá abandonar a prática desportiva, excepto por motivos de saúde, o que terá de ser justificado pelo médico do Club ou motivo de força maior justificada pelo sócio Atleta perante a Direcção, enquanto o Club precisar do seu concurso; sob pena de perder o direito às regalias concedidas, mesmo que tenha jogado mais de cinco épocas;


n) Estas regalias só dizem respeito aos sócios Atletas, praticantes de futebol.

segunda-feira, 12 de julho de 2010


A FONTE DE POLDRÃES (2)
2010


...Hoje mais atraente mas menos apreciada.
A FONTE DE POLDRÃES (1)
1992

Muita água jorrou desde então...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Escritos...

Últimos apartamentos.
Prontos a habitar.