Este pequeno filme, do Sr. António Costa, deve ser de 1967 e mostra os escuteiros, lobitos, caminheiros e dirigentes da altura juntamente com o pároco e assistente e antigos escuteiros. Entre eles, um dos fundadores, Luis Gonzaga Mendes de Carvalho.
Tombo que se vai fazendo das coisas e dos factos do presente e do passado de Vila das Aves
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
S. Miguel e as Aves
O que se transcreve a seguir revela e esclarece algumas subtilezas do discurso paroquial na Vila das Aves, cujo conhecimento é indispensável para interpretar certas posições...
Estreiteza de vistas, é o que é, como se a balança como símbolo fosse exclusivo de certa iconografia angélica (recorde-se a balança da justiça e a balança do zodíaco!)... Como se a iconografia de S. Miguel fosse exclusivamente a da balança...
Eclipse total? Terá a tal balança dos tais "Boletins" sido roubada ao santo? E, passada a "romaria", perdeu-se a balança e não mais se encontrou (o que explicaria que ... o S. Miguel do viaduto sobre o caminho de ferro... não é o padroeiro?). Então o santo não é um, são dois?... E este é para lutar com quem?
"a balança é símbolo distintivo e individualizante do culto ao nosso São Miguel Arcanjo como intercessor para com as benditas Almas do Purgatório, hoje cada vez mais teologicamente referidas como Fiéis Defuntos. Necessariamente recordo que, após o Partido Renovador Democrático (PRD) ter vencido as Eleições Autárquicas de 1985 em Vila das Aves, a estatuária do São Miguel Arcanjo da balança sofreu um eclipse total e, concretamente em Vila das Aves, até foram publicados pelo “Movimento de Independentes” sob a sigla PRD dois Boletins (eu tenho o nº 0 e o nº1 que me foram metidos na caixa do correio) intitulados “A Balança”!"
"Vila das Aves, três de Julho de 2012, primeira terça-feira do mês que por ser o dia litúrgico do Apóstolo São Tomé, me faz escrever o que já disse e volto a lembrar: o São Miguel junto ao viaduto sobre o caminho de ferro não é o Padroeiro de Vila das Aves, mas sim o São Miguel encontrado na Net para lutar com São Tomé…"
"Padre Fernando de Azevedo Abreu."
| S. Miguel ... o outro... (o guerreiro onde descansam as pombas da paz...) |
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Aves – Negrelos: um despique jornalístico entre amigos, em 1930.(11)
O Padre António escrevia em 20 de Outubro de 1930:
![]() |
| Empresa Industrial de Negrelos, na margem direita do Vizela..(1955?) |
O
sr. F. Machado Guimarães, pessoa de destaque e morador na freguesia do Ave,
mandou gravar na Fábrica, que agora lhe pertence, estas palavras: “Fábrica ou
Empreza Industrial de Negrelos”.
Numa
reunião em que este cavalheiro estava falando, junto à ponte de Negrelos,
voltado para S. Miguel do Ave, ou das Aves, disse ao sr. Capitão Bacelar e a
dois indivíduos de distinção, estando eu presente – Esta região de Negrelos é muito importante. Depois explicou da seguinte
forma: temos ali a farmácia do sr. Aires e lá no alto mais duas e um médico,
ali no fundo a grande Fábrica de Negrelos, e um notário privativo dessa importante freguesia de Negrelos, a
Fábrica do Sr. Moreira, a Fábrica de fazer papel, a minha Fábrica, a Fábrica
dos pentes, etc.
Ora,
se este grande industrial assim falava, é porque tinha a consciência de que
dizia bem e não não enganava pessoas de elevada posição social, que vieram ali
tratar de um melhoramento de vulto na Telégrafo Postal. Foi Administrador do
concelho de Santo Tirso, é actual Camarista e da “Comissão pro-Aves”, portanto
o depoimento dele tem grande valor, e confirma a minha asserção de que esta região tem o nome de Negrelos; e achava bonito e bem e apropriado, na sua Fábrica, o nome glorioso e
nobre de Negrelos. Na sua Fábrica não quer Aves, nem galinhaço. Ali há
ordem, respeito e limpeza.
Além
de tudo, que fica dito, vem em abono da minha proposição a existência, em S.
Martinho do Campo, da ponte românica de Negrelos, e em Roriz a capela
da (…)
(…)
Quando rezar peça a Deus por mim, para que de guerreiro me torne santo, como o
D. Nuno, e me dê paciência para aturar as suas chicanices de ataque bisonho e
inferior, cujo efeito psicológico no
povo ilustrado é contraproducente ao que o colega julga obter.
(…)
Todos os habitantes da freguesia do Ave, em todas as eras, respeitaram sempre o
nome de Negrelos, que tem pergaminhos próprios. Não pode ser
fidalgo um simples servo de gente d’algo.
Ora
a freguesia das Aves já foi súbdita, e criada, dependente de Barcelos e de
Famalicão (os nobres), portanto não pode ser superior aos nobres e fidalgos de
quem esteve dependente, e torna a estar dependente de outrem.
Agora depende de Negrelos e de
Santo Tirso.
O
santo da inconfundível, nobre e fidalga vila já desconfia da sua súbdita e
afilhada do Ave, e não admira, porque todos sabem que é de origem bárbara, e
foi despedida à francesa pelos nobres
Barcelos e Famalicão.
Quem
é assim despedido, é sinal de ser fraca criatura, e o Santo Tirso austero e um
tantito desconfiado vigia a sua criada
Aves , porque, além de mais defeitos, é vaidosa em demasia, não obstante ser
pobre.
(…)
Já que estamos em maré de mudança de nomes, melhor será, para castigo de S.
Miguel, crismá-lo, mudando-lhe o nome para Santo Antoninho do Ave.
Com o é taumaturgo português e
não estrangeiro, pedindo-lhe com devoção, perseverança confiança, é capaz de fazer nascer outro Rio Ave no cume de Sobrado e deslizando
pelo meio através da sua freguesia e Romão até Caniços, ficava com dois
autênticos verdadeiros Aves, e então e só
então poderia dizer com verdade e propriedade que a sua freguesia era dos dois Aves, e de seca esquelética passava a ser fertilíssima, de contrário não diga barbaridades e inexactidões, que é
capaz de enganar o digníssimo Abade de Burgães, que nem gracejando mente, e não
conhecendo as duas freguesias, pelas suas descrições fica supondo que a sua é
uma cidade, e a de Negrelos, que é uma aldeia de Paio Pires ou a ilha do Diabo.
Diga
a essas mulheres de asas aveludadas e macias que deitem muitas flores na Ponte
de Negrelos, porquanto todo o ano lá
passam para levar a água de Negrelos em milhares de cântaros, para dessedentar
esse povo que periga de sede , e se parasse a Fábrica morria de fome.
Au revoir.
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
O Amieiro Galego e a "vontade do povo".
O Amieiro Galego (a fonte termal e o local) é, para o povo de Vila das Aves, tão importante que as transformações que serão inauguradas no fim de semana vão, seguramente, marcar uma época e as pessoas guardarão com carinho as imagens que vão registar de todos os modos possíveis.
Como prova da permanência da ideia do Amieiro Galego na ideia do povo e como homenagem a um avense que pelo seu bairrismo merece ser recordado, publico hoje um desenho que me foi pessoalmente oferecido pelo autor há mais de 25 anos. Trata-se do sr. Narciso Marques, mais conhecido por Cisinho Marques, que faleceu em 2 de Maio passado com 78 anos e que, como avense, viveu intensamente a nossa história de Vila.
Pois vejam como surge, tantos anos depois, o parque idealizado pelo Cisinho Marques ! Podemos bem pensar que já era a voz do povo, pela pena do Cisinho Marques a indicar o que fazer!
Como prova da permanência da ideia do Amieiro Galego na ideia do povo e como homenagem a um avense que pelo seu bairrismo merece ser recordado, publico hoje um desenho que me foi pessoalmente oferecido pelo autor há mais de 25 anos. Trata-se do sr. Narciso Marques, mais conhecido por Cisinho Marques, que faleceu em 2 de Maio passado com 78 anos e que, como avense, viveu intensamente a nossa história de Vila.Pois vejam como surge, tantos anos depois, o parque idealizado pelo Cisinho Marques ! Podemos bem pensar que já era a voz do povo, pela pena do Cisinho Marques a indicar o que fazer!
sábado, 7 de julho de 2012
Aves – Negrelos: um despique jornalístico entre amigos, em 1930.(10)
Em 23 de Outubro de 1930, a propósito da inauguração do Mercado de S.
Miguel das Aves, na primeira página do Jornal de Santo Tirso, escrevia o Padre Joaquim:
Tal anelo, nesta hora, abrasa a
minha alma inteira. Quem ma dera ter para honrar S. Miguel de Entre Ambas as
Aves e este jornal amicíssimo na consagração que com esta página lhe presta,
num requinte de amabilidade e gentileza.
Eu tenho à minha freguesia um
amor sem limites(…). Nutro por ela uma paixão ardentíssima(…). Vê-la
resplandecer como o astro mais rutilante
seria a minha suprema ventura.(…)
Nem sempre se chamou, como agora S.
Miguel das Aves ou simplesmente Aves. Durante muitos anos, melhor dizendo,
durante muitos séculos, denominou-se S. Miguel de Entre Ambas as Aves ou de
Entre Ambos os Aves, como documentos o atestam e estudiosos o sabem(…)
Em razão de se achar colocado entre as duas ribeiras chamaram-lhe assim para a distinguir de outras freguesias ou paróquias banhadas por uma delas como Riba d’Ave, Santo Tirso de Riba d’Ave e Refojos de Riba d’Ave e Santo Adrião de Vizela, etc (…)
Em razão de se achar colocado entre as duas ribeiras chamaram-lhe assim para a distinguir de outras freguesias ou paróquias banhadas por uma delas como Riba d’Ave, Santo Tirso de Riba d’Ave e Refojos de Riba d’Ave e Santo Adrião de Vizela, etc (…)
S. Miguel das Aves, com o seu
desenvolvimento, absorveu por completo duas freguesias pequenas mas galhardas,
S. Lourenço de Romão e Santo André de Sobrado, de cuja existência nos falam as
pequeninas igrejas em ruínas solitárias e melancólicas. Todas três constituem
actualmente um magnífico bloco homogéneo, que a cordialidade e o perpassar dos
séculos tem de tal sorte caldeado que não será mais possível arrancá-las dos
braços uma das outras.(…)
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Aves – Negrelos: um despique jornalístico entre amigos, em 1930.(9)
(datada de 5/10/930, continuando do número anterior, a correspondência do Padre António)
![]() |
| O Telégrafo - Postal de Negrelos ... em S. Miguel das Aves |
Com
esta breve descrição parece-me estar a ver a Bruxa, “que a vivos medo e a
mortos faz espanto”, de espada desembainhada a comandar as Aves de mistura com muita bicharia, e ouvir o
zumbido dos insectos, o piar dos mochos, o grasnar dos corvos, o regougar das
raposas, os uivos dos lobos e o sibilar dos ventos; o latir dos cães, o
chilrear dos pardais, o assobiar dos melros, o tagarelar das pegas e o trinar
dos rouxinóis e canários; o arfar surdo e cadenciado dos perús, o cacarejar das
galinhas, o cantar dos galos e perdizes e finalmente os guinchos estrepitosos e
monótonos dos pavões!
Feita
esta digressão voltemos a focar os rios e
as Aves de S. Miguel. Da confluência
ou junção do rio Ave com o Vizela, em Caniços, é que resultou o Avizela – Ave vizela – e como de Caniços para
baixo segue um só rio formado pelos dois Ave-Vizela, o suposto maiorzinho, Ave, empalmou
o Vizela, e meteu-o na barriga, ficando a chamar-se Ave e só Ave, que todo
lépido e orgulhoso se estende atá Vila do Conde.
Sumiu-se
ou fundiu-se o Vizela com o Ave, em Caniços, e portanto não se formou o santíssima léria do Avezinho, Ave pequenino, mas o
Ave maior. Percebeu?
Isto é de instrução primária
elementar. Com propriedade e verdade devia chamar-se: Ave-Vizela, ou Avizela,
ou Avesão, ou Ave maior, ou simplesmente Ave,
como realmente se ficou a chamar.
(…)
Se for preciso escopeta e chumbo também sei atirar para a cabeça das Aves. É
uma necessidade dizimá-las, pois já não cabem em todas as casas da sua
freguesia. É por isso que querem a Estação de Negrelos, a Telégrafo-Postal de
Negrelos, três quartas partes da Fábrica de Negrelos, a Fábrica ou Empresa
Industrial de Negrelos, a Mercantil de Negrelos, a Loja Operária de Negrelos, a
Fotografia das Aves de Negrelos, bilhetes da rifa para a Igreja das Aves de
Negrelos, metade das pontes de Negrelos, a capela da Senhora da Seca de
Lordelo, a Fabrica Bermoser de Lordelo, e por este andar chegam à própria
Igreja de Lordelo, onde estabelecem a “garage” e nos velhos automóveis que aí há
vão à conquista do mundo inteiro.
(… ) O colega em dois artigos faz-me alusão
pessoal , transcrevendo só palavras isoladas e escarnecendo de mim , à moda das
mulheres de soalheiro.
Se
o colega se limitasse no último e penúltimo números deste jornal a fazer a
descrição chulista da sua e da minha freguesia, que deixou os papalvos de boca aberta, eu ria-me da sua manhosa,
intencional e contraditória palinódia, e deixava passar carros e carretas, almocreves
e ferradores, tocadores de viola, criados de servir, padres e operários,
azêmolas e cachorros, gatos e cães de regaço, formigas, mosquitos,
carregadeiras de pão, moleiros e taberneiros, jornalistas, estudantes, mendigos,
a caliça e aleijões que por aí há e finalmente rapazes e raparigas que nessa
freguesia andam amiúde com os baldes na mão a tirar água dos poços e cisternas
para matar a sede a essa gente, que, em Romão, já tinha morrido toda se não
fosse um benemérito brasileiro; mas
vindo fazer confronto com outras freguesias, inclusive a de Negrelos, quando terminar
o assunto – Estação de Negrelos ou das
Aves – farei um paralelo entre a sua e a minha freguesia e verá qual
é a mais importante.
Far-lhe-ei
ver que se a sua é pérola ou princesa na aparência, a de Negrelos em
tudo e por tudo é rainha.
Tem
essa freguesia a vantagem da bela situação geográfica e o bairrismo desse bom
povo, de que Vª. Revª é o mentor
entusiasta.
(…)
Senão veja o que era a sua freguesia, composta de Romão, Sobrado e Aves, três velhos cacos soldados a resina, para fazer um triângulo maçónico com vértice em Caniços – o inferno!
Senão veja o que era a sua freguesia, composta de Romão, Sobrado e Aves, três velhos cacos soldados a resina, para fazer um triângulo maçónico com vértice em Caniços – o inferno!
(….) chega à conclusão que Negrelos é uma ladeira íngreme,
sobranceira às Aves, onde há muita humidade, conforme o colega confessa no último número. Sendo assim,
Negrelos está vertendo para as Aves todas as suas águas, o que será transformar
a sua freguesia num escoadouro pouco
limpo… A tanto não queria eu chegar.
(…) Por hoje basta, que o relógio dá duas horas da noite.
Au revoir.
Padre António Maria Monteiro Brandão
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
Aves – Negrelos: um despique jornalístico entre amigos, em 1930.(8)
![]() |
| Caniços, (o inferno?) em 1909 |
( O Padre António, em Setembro de 1930...)
Que era ridículo e irrisório já lhe
fiz ver, que é despropositado e falso, fácil é demonstrá-lo, sem recorrer à
filosofia jocosiana. Para que fosse apropriado era mister que o Rio Ave, de
quem a sua freguesia parece herdar, embora impropriamente o onomástico Aves
passasse mais perto da Estação que Rio Vizela, mas é o contrário.(…) Portanto
devia chamar-se estação do Rio Vizela, a indicar que este rio passava perto, e
não estação do Rio Ave, que está longe e muito menos das Aves, a não ser que
este nome derive de passarada.
Transformar-se de Rio Ave em
fêmeas Aves ou confundir-se, o meu amigo não quer por recomendação expressa de
última vontade , antes de lhe arrefecer o
céu da boca. Além disso
A transformação por metempsicose
do Ave, rio, em aladas
bicharocas Aves, é um disparate, um verdadeiro contra-senso, uma falsidade!
Deveria neste caso chamar-se freguesia e estação do Ave, e não das Aves, como bem fizeram os
habitantes de Riba d’Ave, de Santo
Tirso de Riba d’Ave (…), e os de
sobre o Tâmega, etc. que não usaram o
plural, mas o singular.
É uma falsidade, é um erro, dizer
que um é ao mesmo tempo dois, e portanto, acertadamente andaram
estes povos cultos e civilizados em usar o onomástico Ave e Tâmega e não Aves e
Tâmegas, etc.
Das duas uma, não há que fugir, ou os antepassados da sua freguesia puseram
ou deram o nome de Aves por causa da passarada, ou então temos forçosamente
de concluir que eram estúpidos e bárbaros;
e ainda existem na sua freguesia alguns bárbaros,
e é o colega que o afirma em letra redonda, no último
número deste belo jornal!
De tudo isto se vê claramente que
há corrupção e transformação de palavras e de sexo e, portanto, o nome de Aves
é despropositado, impróprio e falso. Ora isto implica a existência dum nome
próprio e verdadeiro, e este é Negrelos
. Por conseguinte, não deve jamais chamar-se das Aves, mas Estação de Negrelos. Ademais as Aves, como seres viventes, morrem, statutum est semet mori, depois de
mortas corrompem-se, e conseguintemente cheiram mal, jam fetet; ao que mal cheira chama-se porcaria, que nem toda a água
do rio Vizela, com muito sabão de mistura, é capaz de lavar.
O colega varias vezes afirma, e
uma vez tentou infantilmente demonstrar que a sua freguesia tirou o nome dos dois Aves. Qual Aves? Ou qual
carapuça? Nunca se chamaram Aves aos dois
rios até Caniços, nem tão pouco
daqui a Vila do Conde.
(…) O rio Vizela com propriedade
filológica ou científica jamais teve o nome de Avezinho, rio pequenino. Onde
estava o rio grande para termo de
comparação? Avizela, rio pequenino, companheiro e amigo inseparável do Ave, rio
grande! (…)
O meu amigo e colega padre Lemos
a respeito da ciências filológica está muito atrasado, não pesca patavina, e não admira, porque
os seus dicionários estão errados neste ponto ou são a sucata da biblioteca
da Bruxa ou Moura Encantada de Valgas,
com morada antiquíssima nessa freguesia. Decomponha como quiser, e dê-lhe a
etimologia mais arguta que entender que com propriedade científica não consegue
do Vizela fazer Avizela, rio mais pequeno (…)
Na bruma dos séculos, até há cinquenta anos os habitantes de S.
Tomé de Negrelos e de Rebordões, e toda a gente dizia que o lugar de Caniços
era o inferno, e apontando para a
minúscula e antiquíssima freguesia de Romão e para toda a parte sul de S.
Miguel, a que foi anexa, chamavam a África, e bem o parecia.
O colega não o pode negar e sabe
perfeitamente que ainda aí existem exemplares
autênticos de bárbaros e vestígios dos romanos e dos mouros…
Era realmente feio o caco velho de Romão e toda a parte sul das Aves, que desde
Romão abrangia o covil da Bruxa de
Valgas e a aldeola do Tiromiro e seus
vizinhos Salsa e Capela; estendendo-se
pelo lado de baixo da Botica Velha abrangia o moinho do Ruivo e tinha como terminus a casa em que nasceu o antigo Saia, mais tarde benemérito Conde de S.
Bento.
(continua)
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