sábado, 22 de dezembro de 2012

Boas Festas...

Boas Festas!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local) (4)


  (Publicado no jornal Entre Margens)

9 – A data do Jornal das Aves é 3 de Novembro de 1962 e a crónica diz: “começou, finalmente, no passado domingo, o campeonato distrital da 2ª divisão. O nosso clube recebeu o Castelo, a quem venceu por três bolas a duas. Não se pode dizer que o jogo tenha sido tão difícil como se pode depreender do resultado. Mas também não se jogou bem. Dominou-se bastante e só nisso estará o mérito da nossa vitória. De futebol limpo, apenas esteve em campo o nosso desejo. (…) Ganhou-se o primeiro jogo do campeonato, coisa que já há algumas épocas não se verificava. Talvez isso seja bom prenúncio.”
   “Impressionou-nos a forma como apareceu o Miranda, depois de tanto tempo parado. Quase todos os ataques nasceram dos seus pés”, dizia o cronista, que noutro texto questionava a ausência do Loureiro, alegadamente porque a direcção “não lhe pagava a noite de sábado para domingo, que ele não podia trabalhar para poder jogar”. A versão da direcção era de que só havia feito dois ou três treinos e que por isso nem sequer era convocado.

10 – O segundo jogo, oito dias passados, foi uma derrota: Cruz 2- Aves 0. O cronista demonstra preocupação porque derrotas como esta serão consequência da fragilidade da nossa equipa: “resta-nos, para já, uma equipa bastante esfrangalhada”, receando que alguém que venha ainda para compor a equipa “já não venha a tempo de salvar o barco que começou a meter água”.
Na foto: Soares dos Reis, Fernando, Carvalho, Mocho, José Maria, Neira, Lucas e Leandro (massagista); Miranda, Dieste (treinador), Soeiro, José Pereira e Loureiro.

11 – Um jornal diário anuncia por estes dias que o Desportivo das Aves acaba de fechar contrato com Soares dos Reis, que na época passada actuou no Futebol Clube do Porto, a guarda-redes. “É possível que o novo reforço do Aves possa alinhar já amanhã contra o Amarante, resolvendo assim as dificuldades criadas pela reprovação do titular Barros no Centro de Medicina Desportiva”. Outro jornal refere que os quadros do Clube estavam enfraquecidos pela saída de alguns para o futebol corporativo.

12 – Como é que um guarda-redes do Futebol Clube do Porto se muda para um clube da 2ª regional, depois de ter estado, ao que parece, pronto a assinar pelo Académico de Viseu? O que é que faz com que um jovem citadino venha viver na Pensão Alicate, no lugar da Ponte, Negrelos, para jogar no Desportivo das Aves? Ao que parece, havia relações de amizade e de negócios entre os presidentes dos dois clubes que facilitaram a transferência. E depois, o atleta encontrou por cá, por esses dias, a alma-gémea que o amarrou a esta terra e lhe proporcionou um contrato para a vida e que por cá o mantém, depois de uma carreira de futebolista profissional em vários sítios e de emigrante e desportista que continua a ser. Ou não fosse ele, hoje, um dos “Ases do Pedal”.  


domingo, 25 de novembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local) (3)


  (Publicado no jornal Entre Margens)

6 – Lá se realizou o sorteio mas não há meio de começar o campeonato, cujo início foi outra vez adiado. Só em 28 de Outubro começará, finalmente, a bola a saltar!
O campeonato de juniores já rola e o Tirsense, após uma derrota por falta de comparência, defrontou o seu velho rival com apenas com nove elementos por não ter mais disponíveis. E mesmo assim, levou de vencida o Desportivo por duas bolas a uma! Bolas!


7 - Dieste, o treinador-jogador apresentado como a única aquisição para a nova época, em entrevista ao Jornal das Aves, declarou: “estou convencido de que temos uma das melhores equipas da nossa divisão”. E disse mais: “sinto-me bem, como em família. Devo no entanto dizer que já vinha a contar que assim fosse, pois que jogadores e treinadores que por cá têm passado me tinham dito que o ambiente aqui era sempre dos melhores.” Há 10 anos em Portugal, o nosso treinador tinha representado antes o Tirsense, o Porto, o Espinho, o Feirense e o Arrifanense.

8 - Ainda se discute o caso do Zé Pereira. Parece ter havido acordo para a cedência do atleta por três épocas por trinta e cinco contos e um jogo no nosso campo, mas depois disso o Salgueiros nunca mais apareceu mas o atleta continuou a treinar lá. O cronista do Jornal das Aves desespera por saber com quem podemos contar e, relativamente ao caso do Costa, pretendido pelo Vizela, diz que se entrou numa fase cómico-dramática, acusando o clube interessado de “utilizar os mais variados truques para ganhar um jogo que a nossa direcção pôs claramente na mesa”. O mês de Outubro está quase no fim e aproxima-se o início da época. Saberemos, não tarda, que, afinal, o Zé Pereira fica e o Costa ruma a Vizela…


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local) (2)


(Publicado no jornal Entre Margens)



3  – “Os verdadeiros sócios do Clube são os que pagam sempre as suas cotas nas horas boas e más, que estão presentes na sede e no campo, que riem e choram com o riso e choro do  Clube, que se sacrificam pela sua existência, que vão às Assembleias, não para lavar roupa suja, passe o termo, mas para falar com o coração a sentir os interesses do Clube e os olhos postos na sua continuidade”. Era a sim que falava o cronista, num escrito intitulado “Factos e Conciderações”. O início do campeonato tardava e aproveitou-se o atraso no arranque dos jogos oficiais para realizar a festa do jogador Loureiro: “realmente, quem já dá há dezassete anos a sua colaboração ao C. D. das Aves sem nunca regatear o preço do seu esforço e da sua dedicação, bem merece o apoio moral e material de todos os desportistas da nossa terra”. A festa de homenagem contou com a colaboração da A.D. de Fafe e o Aves ganhou por uma bola a zero. Aos quinze minutos, o jogo foi interrompido para a homenagem ao jogador, que de seguida abandonou o rectângulo de jogo.

4 – O Jornal das Aves, começou a apresentar um palpite do Totobola avisando, com seriedade, que “não somos infalíveis e que, portanto, não se devem seduzir pelo nosso prognóstico”.
Em Santo Tirso ficou registada a realização de festivais com a colaboração de alguns consagrados artistas, com entradas a 25 escudos por pessoa. Um preço exageradíssimo para a época, dizia o correspondente, juntando uma crítica demolidora: quem gastou 70 contos a fazer um quarto de banho num dos recintos também devia ter dinheiro para umas festas populares para a maioria da população de Santo Tirso, que como deviam saber os senhores do Turismo, é de operários fabris.

5 - O Tirsense conseguiu eleger uma direcção, depois de uns meses de crise e desejava-se o seu regresso à segunda nacional. Nessa época, o clube da sede do concelho andava na mó de  cima relativamente ao nosso Desportivo e não se defrontavam directamente. Nos tempos de hoje é o Desportivo que voa mais alto e, como vai haver, dentro de dias, um jogo da Taça de Portugal podemos reviver os antigos “derbys” doutras épocas. Em Setembro de 1962 realizou-se um jogo treino em Santo Tirso e ficou registado um certo contentamento para o Desportivo por ter perdido só por uma bola… Pensarão o mesmo, agora, os que nos virão visitar?
Haverá, certamente, diferenças para menos em número de assistentes de agora, já que existem muitos outros entretimentos e a vida é diferente. Mas os apertos financeiros, esses são os mesmos de sempre: as Finanças decidiram, há 50 anos, estabelecer a lotação do nosso recinto de jogos em “dois mil lugares de peão e duzentos e cinquenta e dois de bancada”, em vez dos quinhentos lugares de peão anteriores e, vai daí, a licença que custava trinta e oito escudos por jogo passou para cento e oitenta. Era “mais um apertozinho ao nó”, da parte das Finanças, na vida dos clubes pobres…


domingo, 28 de outubro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local)


(Publicado no jornal Entre Margens)

A época desportiva de 1962/63 é o objecto desta rubrica. A seu tempo se verá porquê. A partir da leitura dos jornais locais, preferencialmente do “Jornal das Aves”, procuraremos recordar acontecimentos e retratar ambientes e personagens da nossa história desportiva. Muitos protagonistas e participantes dos acontecimentos relatados na imprensa ainda estão presentes, porque 50 anos não é há tanto tempo assim, e eles poderão relembrar e confirmar o que se descreve.

Agosto e Setembro de 1962

1 –  A electrificação do campo foi o objectivo de uma comissão que parece disposta a desistir, quando já tinha realizado uma soma razoável.
A equipa de ciclismo do clube participou em diversos circuitos (Aldoar, Lousada, Gondomar e outros). No 8º Circuito das Aves (Populares), realizada no final de Agosto, a nossa equipa esteve em destaque: Manuel de Oliveira foi o primeiro (ex-aequo com um atleta do FCP), César Luís o quinto, José Correia o sexto, Noé Ribeiro o sétimo e Noé Azevedo o oitavo. Um elemento da secção de ciclismo (Manuel Ferreira Certo) participou como estafeta na Volta a Portugal em bicicleta.
Os columbófilos da S.C. das Aves encerraram a época com o concurso de Valença do Minho.


No 2ºCircuito de Motorizadas da Vila das Aves predominaram as Sachs e as Kreidler. Os condutores da nossa terra tiveram actuação destacada: o Armando M. Russo (Paredes) obteve o quarto lugar na categoria Sport e o Floriano Moreira o segundo em Especial.
Em Santo Tirso, o 1º Rallye de Donas Elviras levou uma multidão ao Parque a ver os bólidos, atrapalhando a gincana dos velhos carros. O primeiro prémio foi para um Lancia de 1928.
Os pescadores desportivos do “Pic-Nic à beira rio” repetiram o seu concurso de pesca seguido de leilão a favor dos pobres que já vinham realizando há cerca de dez anos. A pouca água não permitiu pesca abundante (7 kgs de peixe) e o vencedor foi Manuel da Silva, seguido de Álvaro de Sousa e de Serafim de F. Gouveia.

2 – O verão foi animado pelo Torneio Popular de Futebol que o Fontainhas ganhou, em despique, na fase final, com o F.C. de Delães, que foi segundo, o Bairro e a Florentina.
Relativamente à equipa de honra do desportivo, a pré-época, como se diz agora, foi agitada pela eventual revisão da suspensão de um ano ao Miranda, aplicada pela direcção cessante e notícia da provável saída do Zé Pereira para o Salgueiros (constando que o Vitória, o Tirsense e o Boavista também estavam interessados no jogador) e do Costa para o Vizela. Foi contratado como treinador-jogador o Dieste, que pelo primeiro treino demonstrou categoria e isenção, porque tanto manda parar as jogadas dos titulares como dos reservistas.
Loureiro, entrevistado pelo Jornal das Aves, lembrou que já levava 17 anos de atleta do clube e nove de capitão, revelou estar com excelente disposição e garantiu que “se todos quisermos, voltamos esta época à primeira divisão”. Trata-se da primeira divisão regional, não façam confusões.
O cronista desportivo do Jornal das Aves, Luís Freitas de seu nome, deixou clara a sua visão do momento: “Onde está o verdadeiro amor à camisola que se veste? Confessamos sinceramente que temos saudades daquela idolatria à camisola rubro-branca do Desportivo das Aves que era apanágio dum Albano, dum Gentil, dum Toninho, dum Ventura, dum Zeca, dum Álvaro, dum Bernardino, dum Pereira Lopes e de outros tantos daquela geração. Agora, ou se joga para se ser ídolo ou apenas com os olhos nos prémios de jogos. E isso é muito pouco.”
Quem quer comentar, cinquenta anos depois?


sábado, 20 de outubro de 2012

Associação Humanitária das Aves

Primeira ambulância e primeira pedra: 23 de Junho de 1979
Registo em super 8 de autoria do sr. António Costa, a partir de cópia digital da Junta de Freguesia.
A cerimónia decorreu no terreno onde está instalado o Centro de Saúde, que havia sido cedido pela Junta de Freguesia para Quartel dos Bombeiros. 
Presentes,para além das pessoas assinaladas com legenda, o Bispo de Portalegre, D. Agostinho de Moura (que residia no Convento da Visitação), o pároco Monsenhor José Ferreira e o Governador Civil do Porto.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O "cerco de S. Sebastião"

Arnaldo Gama também faz referência ao "Cerco de S. Sebastião" em S. Miguel das Aves, em época anterior àquela a que o Padre da Barca se refere.

 No volume  "Só as mulheres sabem amar", 1ª parte de  "Verdades e Ficções" e, mais precisamente na novela "Um defeito de organização", datado de 1852, o autor portuense que também viveu por cá e que situa cá todo o desenrolar da novela, como já referido aqui, põe na boca dum popular a frase: " benho todo cheio de nadoas de binho, e ainda por riba perco o cêrco de Martle e a museca de Riba d'Ave, que bai função rija".
Para explicar de que se trata, o autor escreveu em nota de rodapé:

" Creio que não há aldeia alguma do Minho onde S. Sebastião não seja festejado com missa cantada e procissão, uma vez cada ano. É isto que se chama o cêrco do Martle, que é a procissão do Corpus para o lavrador do Minho. Este costume, tão geral, é resultado da promessa feita por um dos nossos reis, em consequência da peste que assolou o reino. Se bem me recordo, foi D. João III.


Relativamente à vizinha freguesia de Lordelo, cujas tradições e costumes não serão muito diferentes, dizia o respectivo pároco em 1842, respondendo ao Inquérito Paroquial dessa data, que se pode ler na íntegra  aqui:


"Os festejos mais usuais é a Procissão do Cerco de S. Sebastião, que se faz anualmente, e que os povos não afrouxam em semelhante função; a experiência o mostra, porque todos concorrem para ela."


As procissões do Cerco de S. Sebastião foram "proibidas em finais do século XIX. No bem estudado arquivo da freguesia de Beiriz conserva-se a “Provisão Pastoral do Arcebispo de Braga”, datada de 4 de Junho de 1872, interditando estas manifestações invocando que “se tem convertido em occasião de muitas irreverencias, desacatos e peccados, já por que atravessando montes e sitios escabrozos e caminhos defficeis não é possivel guardar-se nellas a decencia e respeito que deve observar-se em todos os actos do culto divino; já porque esfriando a fé e devoção que aconselhou o establecimento destas solemnidades, e augmentada a immoralidade de que tudo abusa, têm-se tornado incentivo para ajuntamentos profanos, nos quaes nem a religião, nem a moral publica são respeitadas” (in Deolinda M. V. Carneiro, As procissões na Póvoa de Varzim 1900 1950, Tese de Mestrado UP, consultada em http://www.memoriamedia.net/bd_docs/transcrioes_Povoa/imagin%E1rio%20religioso.PDF ).

Falta esclarecer porquê "do Martle",  na linguagem popular transcrita por Arnaldo Gama. Na novela, a palavra Martle aparece, noutro contexto, com o significado de Marte, o planeta (" de todos os plainetas que tenho bisto no Lunairo, aquele com que zango mais é o plaineta Martle") .
Mas é muito mais plausível que, no caso, martle seja corruptela de Mártir.
A procissão seria pois o Cêrco de S. Sebastião ou o Cêrco do Mártir (S. Sebastião).


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O "cerco de S. Sebastião"

S. Sebastião existente
na Igreja de Sobrado (Vila das Aves)
Na procissão da festa do padroeiro S. Miguel realizada no dia 30 de Setembro passado, a imagem de S. Sebastião que se venera na Igreja Matriz  "foi a única que não teve a honra de ser levada na nossa procissão."

Tempos houve em que o S. Sebastião tinhas honras de procissão própria e exclusiva. Uma referência a essa procissão é feita pelo Padre da Barca.

"Dantes era costume - e tal costume ainda vigorava em 1880 - fazer-se anualmente o Cerco de S. Sebastião. Tal cerco, que se realizava nos fins da primavera ou no Verão, consistia em levar-se, processionalmente, a imagem de S. Sebastião em redor da freguesia para a abençoar e proteger contra a peste, fome e guerra. A procissão do Cerco saía da Igreja pouco depois do meio dia, para o lado da Barca, e recolhia a ela ao fim da tarde pelo lado da Boavista. Era uma procissão com carácter de penitência. Porque o andor era muito alto e os caminhos apertados e ladeados de denso e copado arvoredo, iam à frente alguns homens empunhando fouces roçadouras para cortar os ramos que estorvassem a sua passagem. Na Casa da Barca, era costume o cortejo religioso entrar pelo portal da Capela e sair pelo que dá para o caminho do Freixieiro, e também era da praxe os donos da propriedade mimosearem os pegadores do andor e os empregados das irmandades com um vintém de trigo e uma malga de vinho, naqueles tempos azal de saltar aos olhos".

Padre Joaquim da Barca, S. Miguel das Aves,  Monografia, 1955, pag.  175.

Mas há outra referência...

sábado, 13 de outubro de 2012

De partida.


Faleceu no dia 7 deste mês de Outubro o Padre Joaquim Azevedo Mendes de Carvalho, capelão do Mosteiro da Visitação.

Natural de Vila das Aves ( 19/7/1930), onde residia, foi ordenado sacerdote em 1953 e foi pároco em Padim da Graça até 1988 e, mais tarde, Vigário Paroquial de Delães e pároco de Bairro. Foi professor de Educação Musical em Braga e na Vila das Aves, tendo exercido cargos directivos nas escolas em que leccionou. Dedicou-se à música desde os tempos do Seminário sendo autor de numerosos cânticos religiosos e tendo tido papel de relevo na preservação e restauro dos órgãos de tubos de muitas igrejas.
Foi fundador e editor de revistas de Música Sacra e regente de vários coros.
Foi candidato à Junta de Freguesia de Vila das Aves em 1993 e em 1997, como cabeça de lista do PSD, tendo exercido o seu mandato na Assembleia de Freguesia com toda a dedicação e humildade. Foi membro da direcção do  Lar da Tranquilidade (Vila das Aves)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Agrupamento de Escuteiros do CNE - Vila das Aves

Este pequeno filme, do Sr. António Costa, deve ser de 1967 e mostra os escuteiros, lobitos, caminheiros e dirigentes da altura juntamente com o pároco e assistente e antigos escuteiros. Entre eles, um dos fundadores, Luis Gonzaga Mendes de Carvalho.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

S. Miguel e as Aves

Já nos referimos aqui, e anteriormente aqui e noutras entradas relacionadas ao assunto.
O que se transcreve a seguir revela e esclarece algumas subtilezas do discurso paroquial na Vila das Aves, cujo conhecimento é indispensável para interpretar certas posições... 
Estreiteza de vistas, é o que é, como se a balança como símbolo fosse exclusivo de certa iconografia angélica (recorde-se a balança da justiça e a balança do zodíaco!)... Como se a iconografia de S. Miguel fosse exclusivamente a da balança... 
Eclipse total? Terá a tal balança dos tais "Boletins" sido roubada ao santo? E, passada a "romaria", perdeu-se a balança e não mais se encontrou (o  que explicaria que ... o S. Miguel do viaduto sobre o caminho de ferro... não é o padroeiro?).  Então o santo não é um, são dois?... E este é para lutar com quem?

daqui:

"a balança é símbolo distintivo e individualizante do culto ao nosso São Miguel Arcanjo como intercessor para com as benditas Almas do Purgatório, hoje cada vez mais teologicamente referidas como Fiéis Defuntos. Necessariamente recordo que, após o Partido Renovador Democrático (PRD) ter vencido as Eleições Autárquicas de 1985 em Vila das Aves, a estatuária do São Miguel Arcanjo da balança sofreu um eclipse total e, concretamente em Vila das Aves, até foram publicados pelo “Movimento de Independentes” sob a sigla PRD dois Boletins (eu tenho o nº 0 e o nº1 que me foram metidos na caixa do correio) intitulados “A Balança”!"


"Vila das Aves, três de Julho de 2012, primeira terça-feira do mês que por ser o dia litúrgico do Apóstolo São Tomé, me faz escrever o que já disse e volto a lembrar: o São Miguel junto ao viaduto sobre o caminho de ferro não é o Padroeiro de Vila das Aves, mas sim o São Miguel encontrado na Net para lutar com São Tomé…"
"Padre Fernando de Azevedo Abreu."

S. Miguel ... o outro... (o guerreiro onde descansam as pombas da paz...)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Aves – Negrelos: um despique jornalístico entre amigos, em 1930.(11)

O Padre António escrevia em 20 de Outubro de 1930:
Empresa Industrial de Negrelos, na margem direita do Vizela..(1955?)

                O sr. F. Machado Guimarães, pessoa de destaque e morador na freguesia do Ave, mandou gravar na Fábrica, que agora lhe pertence, estas palavras: “Fábrica ou Empreza Industrial de Negrelos”.
                Numa reunião em que este cavalheiro estava falando, junto à ponte de Negrelos, voltado para S. Miguel do Ave, ou das Aves, disse ao sr. Capitão Bacelar e a dois indivíduos de distinção, estando eu presente – Esta região de Negrelos é muito importante. Depois explicou da seguinte forma: temos ali a farmácia do sr. Aires e lá no alto mais duas e um médico, ali no fundo a grande Fábrica de Negrelos, e um notário privativo dessa importante freguesia de Negrelos, a Fábrica do Sr. Moreira, a Fábrica de fazer papel, a minha Fábrica, a Fábrica dos pentes, etc.
                Ora, se este grande industrial assim falava, é porque tinha a consciência de que dizia bem e não não enganava pessoas de elevada posição social, que vieram ali tratar de um melhoramento de vulto na Telégrafo Postal. Foi Administrador do concelho de Santo Tirso, é actual Camarista e da “Comissão pro-Aves”, portanto o depoimento dele tem grande valor, e confirma a minha asserção de que esta região tem o nome de Negrelos; e achava bonito e bem e apropriado, na sua Fábrica, o nome glorioso e nobre de Negrelos. Na sua Fábrica não quer Aves, nem galinhaço. Ali há ordem, respeito e limpeza.
                Além de tudo, que fica dito, vem em abono da minha proposição a existência, em S.  Martinho do Campo, da ponte românica de Negrelos, e em Roriz a capela da (…)
                (…) Quando rezar peça a Deus por mim, para que de guerreiro me torne santo, como o D. Nuno, e me dê paciência para aturar as suas chicanices de ataque bisonho e inferior, cujo efeito  psicológico no povo ilustrado é contraproducente ao que o colega julga obter.
                (…) Todos os habitantes da freguesia do Ave, em todas as eras, respeitaram sempre o nome de Negrelos, que tem pergaminhos próprios. Não pode ser fidalgo um simples servo de gente d’algo.
                Ora a freguesia das Aves já foi súbdita, e criada, dependente de Barcelos e de Famalicão (os nobres), portanto não pode ser superior aos nobres e fidalgos de quem esteve dependente, e torna a estar dependente de outrem.
Agora depende de Negrelos e de Santo Tirso.
                O santo da inconfundível, nobre e fidalga vila já desconfia da sua súbdita e afilhada do Ave, e não admira, porque todos sabem que é de origem bárbara, e foi despedida à francesa pelos nobres Barcelos e Famalicão.
                Quem é assim despedido, é sinal de ser fraca criatura, e o Santo Tirso austero e um tantito desconfiado  vigia a sua criada Aves , porque, além de mais defeitos, é vaidosa em demasia, não obstante ser pobre.
                (…) Já que estamos em maré de mudança de nomes, melhor será, para castigo de S. Miguel, crismá-lo, mudando-lhe o nome para Santo Antoninho do Ave.
Com o é taumaturgo português e não estrangeiro, pedindo-lhe com devoção, perseverança  confiança, é capaz de fazer nascer  outro Rio Ave no cume de Sobrado e deslizando pelo meio através da sua freguesia e Romão até Caniços, ficava com dois autênticos verdadeiros Aves, e então e só então poderia dizer com verdade e propriedade  que a sua freguesia era dos dois Aves, e de seca esquelética passava a ser fertilíssima, de contrário não diga barbaridades e inexactidões, que é capaz de enganar o digníssimo Abade de Burgães, que nem gracejando mente, e não conhecendo as duas freguesias, pelas suas descrições fica supondo que a sua é uma cidade, e a de Negrelos, que é uma aldeia de Paio Pires ou a ilha do Diabo.
                Diga a essas mulheres de asas aveludadas e macias que deitem muitas flores na Ponte de Negrelos, porquanto  todo o ano lá passam para levar a água de Negrelos em milhares de cântaros, para dessedentar esse povo que periga de sede , e se parasse a Fábrica morria de fome.
Au revoir.