segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Colares?

... ou vai dançar o  "hoola hoop" ? 
Apenas um arranjo dos "circuitos pedonais"...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Taça, na Luz...

As nossas águias não se vêem tanto  quanto as deles mas também as encontramos por aí...
No Lugar da Barca, Vila das Aves

Em Cabanas, Monte Córdova, voltado para o vale.









































Haja Taça...
(de abola.pt)









(de zerozero.pt)

Esta é a terceira vez que Benfica e Desportivo das Aves se encontram no Estádio da Luz numa partida para a Taça de Portugal. Nos dois jogos anteriores, que resultaram em dois triunfos dos lisboetas, confirmou-se o favoritismo dos da casa.

O primeiro confronto aconteceu em 1997, com Benfica e Desportivo das Aves encontrarem-se, tal como agora, nos oitavos-de-final. Os encarnados venceram por 3x1 após prolongamento, com golos de João Vieira Pinto, Valdo e Nica Panduru.

O segundo duelo entre os dois emblemas aconteceu em 2008, na quarta eliminatória, e o Benfica venceu de forma fácil por 3x0. Os golos tiveram a assinatura de Hassan Yebda, Luisão e Maxi Pereira.








Esperando para ver...

... tempestade ou bonança?

domingo, 30 de dezembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local ) (6)



15 – O nosso clube ganhou em casa ao Serzedo com certa dificuldade. Houve uma quebra de rendimento devido ao facto do nosso grupo ter jogado todo o jogo praticamente com dez elementos. “Estará o nosso clube necessitado de utilizar jogadores em inferioridade física? Podemos afirmar que não. Então porque se fez alinhar Armando Almeida naquelas condições? Será por ter marcado dois golos na Lixa ou até porque fez uma boa exibição? E se na semana seguinte a uma boa exibição ele ou outro qualquer partir uma perna, no domingo seguinte irá para o campo jogar de muletas?”

16 – Os juniores fizeram um jogo agradável contra o Tirsense mas depois “recuaram até eles mesmos”. A utilização indiscriminada da bancada nesse jogo deu origem a uma iniciativa da direcção para garantir que a bancada seja para os sócios que a ela tenham direito. Outro aspecto, dizia o cronista, é o de estar sentados, porque estar de pé prejudica a visibilidade dos que estão sentados. “Se o assento está frio, ou húmido, aluguem uma almofada, que o Clube tem lá muitas para esse fim e, se não querem gastar os dez tostões, tragam uma de casa, que também não é proibido.”

17 – O resultado do jogo contra o Valonguense (4-1, a nosso favor) foi bom. Mas a expulsão do Dieste e os desacatos que levaram à interdição do campo eram dispensáveis. E, no jogo seguinte, a equipa, que ainda só tinha sofrido três golos, foi perder a Ermesinde por 5-1. Uma desilusão: “um guarda redes muito batido, uma defesa sem segurança e a oferecer brindes, uma linha avançada toda desligada…”

18 – O cronista do Jornal das Aves, que temos seguido de perto para escrever estes textos, a certa altura do início da época desabafava: “…tivemos um clube grande na mão dos grandes e agora temos um clube pequeno na mão dos pequenos (…).É que, salvo honrosíssimas excepções esses senhores até deixaram de ser vistos no campo e na sede. Como há-de o nosso clube progredir?”.
A escolha da direcção, no início do Verão, não tinha sido fácil mas provou que um clube pode progredir mesmo que os “grandes” não apareçam.
 Era assim o elenco directivo de 1962/63: Serafim Rodrigues , presidente; José Ferreira Dias, vice-presidente; Abílio de Oliveira e José Xavier Coelho, secretários; Luís Gomes Magalhães e António Oliveira Marques Pinto, tesoureiros; Ernesto Correia de Sá e Joaquim Gomes de Sousa Nogueira, vogais.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Há 50 anos foi assim... (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local)(5)


12 – Já o Novembro ia longe e ainda o campeonato dava os primeiros passos… Parece mesmo que  ainda não estaria definitivamente fechado o plantel, como se diz agora. Isto porque o cronista, para além de criticar a aquisição do guarda-redes, referia o atleta Pilú, regressado da Índia, onde cumprira serviço militar e estivera preso na sequência da invasão do território pelas tropas de Nheru: “chegou a convencer-nos de que poderia ocupar qualquer lugar dentro da equipa”, mas “ os senhores grandes da nossa terra deixaram de se interessar pelo clube e já nem sequer facilitam nada aos atletas”. Sabe-se lá se não terá sido o trauma de guerra a impedir uma grande carreira futebolística. No livro, publicado muitos anos mais tarde, sobre a sua vivência naquele território, Luís Pinto, o Pilú, realçou bem a importância do Desportivo das Aves nos seus anos de juventude e diz, a certo ponto, sobre o Toninho Pepino: “este homem nunca mais o esqueço porque enquanto prestava serviço militar normal na Índia, sempre fez o favor de me escrever e contar como ia decorrendo a vida do nosso Clube Desportivo das Aves”.

13 – A secção de Ciclismo festejou o 1º aniversário e expôs os troféus da época: “é uma secção que não pode acabar, mesmo que custe muito sangue, suor e lágrimas”.

No foto (a partir da esquerda): Machado, Fernando Adães, António Machado (treinador), Luís Machado, Manuel Jorge, Manuel Oliveira, Noé Azevedo, Ventura (massagista), David Adães e Certo.
14 – No que diz respeito aos resultados, “o nosso clube não conseguiu passar na deslocação a Amarante. Já o esperávamos”. Mas, na Lixa, a sorte foi outra e se as esperanças de ganhar se baseavam no Zé Pereira e no Dieste, que já podiam jogar, quem acabou por ser  o herói do jogo foi o Armando Almeida… O Desportivo ganhou por três a dois, com dois golos do referido atleta, que veio a ser presidente do clube com enormes sucessos desportivos. Ficamos, pois, esclarecidos, sobre as origens da extremada paixão do Presidente Honorário pelo Aves pelo seu clube: ele também teve tardes de glória com a camisola rubro-branca!


sábado, 22 de dezembro de 2012

Boas Festas...

Boas Festas!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local) (4)


  (Publicado no jornal Entre Margens)

9 – A data do Jornal das Aves é 3 de Novembro de 1962 e a crónica diz: “começou, finalmente, no passado domingo, o campeonato distrital da 2ª divisão. O nosso clube recebeu o Castelo, a quem venceu por três bolas a duas. Não se pode dizer que o jogo tenha sido tão difícil como se pode depreender do resultado. Mas também não se jogou bem. Dominou-se bastante e só nisso estará o mérito da nossa vitória. De futebol limpo, apenas esteve em campo o nosso desejo. (…) Ganhou-se o primeiro jogo do campeonato, coisa que já há algumas épocas não se verificava. Talvez isso seja bom prenúncio.”
   “Impressionou-nos a forma como apareceu o Miranda, depois de tanto tempo parado. Quase todos os ataques nasceram dos seus pés”, dizia o cronista, que noutro texto questionava a ausência do Loureiro, alegadamente porque a direcção “não lhe pagava a noite de sábado para domingo, que ele não podia trabalhar para poder jogar”. A versão da direcção era de que só havia feito dois ou três treinos e que por isso nem sequer era convocado.

10 – O segundo jogo, oito dias passados, foi uma derrota: Cruz 2- Aves 0. O cronista demonstra preocupação porque derrotas como esta serão consequência da fragilidade da nossa equipa: “resta-nos, para já, uma equipa bastante esfrangalhada”, receando que alguém que venha ainda para compor a equipa “já não venha a tempo de salvar o barco que começou a meter água”.
Na foto: Soares dos Reis, Fernando, Carvalho, Mocho, José Maria, Neira, Lucas e Leandro (massagista); Miranda, Dieste (treinador), Soeiro, José Pereira e Loureiro.

11 – Um jornal diário anuncia por estes dias que o Desportivo das Aves acaba de fechar contrato com Soares dos Reis, que na época passada actuou no Futebol Clube do Porto, a guarda-redes. “É possível que o novo reforço do Aves possa alinhar já amanhã contra o Amarante, resolvendo assim as dificuldades criadas pela reprovação do titular Barros no Centro de Medicina Desportiva”. Outro jornal refere que os quadros do Clube estavam enfraquecidos pela saída de alguns para o futebol corporativo.

12 – Como é que um guarda-redes do Futebol Clube do Porto se muda para um clube da 2ª regional, depois de ter estado, ao que parece, pronto a assinar pelo Académico de Viseu? O que é que faz com que um jovem citadino venha viver na Pensão Alicate, no lugar da Ponte, Negrelos, para jogar no Desportivo das Aves? Ao que parece, havia relações de amizade e de negócios entre os presidentes dos dois clubes que facilitaram a transferência. E depois, o atleta encontrou por cá, por esses dias, a alma-gémea que o amarrou a esta terra e lhe proporcionou um contrato para a vida e que por cá o mantém, depois de uma carreira de futebolista profissional em vários sítios e de emigrante e desportista que continua a ser. Ou não fosse ele, hoje, um dos “Ases do Pedal”.  


domingo, 25 de novembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local) (3)


  (Publicado no jornal Entre Margens)

6 – Lá se realizou o sorteio mas não há meio de começar o campeonato, cujo início foi outra vez adiado. Só em 28 de Outubro começará, finalmente, a bola a saltar!
O campeonato de juniores já rola e o Tirsense, após uma derrota por falta de comparência, defrontou o seu velho rival com apenas com nove elementos por não ter mais disponíveis. E mesmo assim, levou de vencida o Desportivo por duas bolas a uma! Bolas!


7 - Dieste, o treinador-jogador apresentado como a única aquisição para a nova época, em entrevista ao Jornal das Aves, declarou: “estou convencido de que temos uma das melhores equipas da nossa divisão”. E disse mais: “sinto-me bem, como em família. Devo no entanto dizer que já vinha a contar que assim fosse, pois que jogadores e treinadores que por cá têm passado me tinham dito que o ambiente aqui era sempre dos melhores.” Há 10 anos em Portugal, o nosso treinador tinha representado antes o Tirsense, o Porto, o Espinho, o Feirense e o Arrifanense.

8 - Ainda se discute o caso do Zé Pereira. Parece ter havido acordo para a cedência do atleta por três épocas por trinta e cinco contos e um jogo no nosso campo, mas depois disso o Salgueiros nunca mais apareceu mas o atleta continuou a treinar lá. O cronista do Jornal das Aves desespera por saber com quem podemos contar e, relativamente ao caso do Costa, pretendido pelo Vizela, diz que se entrou numa fase cómico-dramática, acusando o clube interessado de “utilizar os mais variados truques para ganhar um jogo que a nossa direcção pôs claramente na mesa”. O mês de Outubro está quase no fim e aproxima-se o início da época. Saberemos, não tarda, que, afinal, o Zé Pereira fica e o Costa ruma a Vizela…


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local) (2)


(Publicado no jornal Entre Margens)



3  – “Os verdadeiros sócios do Clube são os que pagam sempre as suas cotas nas horas boas e más, que estão presentes na sede e no campo, que riem e choram com o riso e choro do  Clube, que se sacrificam pela sua existência, que vão às Assembleias, não para lavar roupa suja, passe o termo, mas para falar com o coração a sentir os interesses do Clube e os olhos postos na sua continuidade”. Era a sim que falava o cronista, num escrito intitulado “Factos e Conciderações”. O início do campeonato tardava e aproveitou-se o atraso no arranque dos jogos oficiais para realizar a festa do jogador Loureiro: “realmente, quem já dá há dezassete anos a sua colaboração ao C. D. das Aves sem nunca regatear o preço do seu esforço e da sua dedicação, bem merece o apoio moral e material de todos os desportistas da nossa terra”. A festa de homenagem contou com a colaboração da A.D. de Fafe e o Aves ganhou por uma bola a zero. Aos quinze minutos, o jogo foi interrompido para a homenagem ao jogador, que de seguida abandonou o rectângulo de jogo.

4 – O Jornal das Aves, começou a apresentar um palpite do Totobola avisando, com seriedade, que “não somos infalíveis e que, portanto, não se devem seduzir pelo nosso prognóstico”.
Em Santo Tirso ficou registada a realização de festivais com a colaboração de alguns consagrados artistas, com entradas a 25 escudos por pessoa. Um preço exageradíssimo para a época, dizia o correspondente, juntando uma crítica demolidora: quem gastou 70 contos a fazer um quarto de banho num dos recintos também devia ter dinheiro para umas festas populares para a maioria da população de Santo Tirso, que como deviam saber os senhores do Turismo, é de operários fabris.

5 - O Tirsense conseguiu eleger uma direcção, depois de uns meses de crise e desejava-se o seu regresso à segunda nacional. Nessa época, o clube da sede do concelho andava na mó de  cima relativamente ao nosso Desportivo e não se defrontavam directamente. Nos tempos de hoje é o Desportivo que voa mais alto e, como vai haver, dentro de dias, um jogo da Taça de Portugal podemos reviver os antigos “derbys” doutras épocas. Em Setembro de 1962 realizou-se um jogo treino em Santo Tirso e ficou registado um certo contentamento para o Desportivo por ter perdido só por uma bola… Pensarão o mesmo, agora, os que nos virão visitar?
Haverá, certamente, diferenças para menos em número de assistentes de agora, já que existem muitos outros entretimentos e a vida é diferente. Mas os apertos financeiros, esses são os mesmos de sempre: as Finanças decidiram, há 50 anos, estabelecer a lotação do nosso recinto de jogos em “dois mil lugares de peão e duzentos e cinquenta e dois de bancada”, em vez dos quinhentos lugares de peão anteriores e, vai daí, a licença que custava trinta e oito escudos por jogo passou para cento e oitenta. Era “mais um apertozinho ao nó”, da parte das Finanças, na vida dos clubes pobres…


domingo, 28 de outubro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local)


(Publicado no jornal Entre Margens)

A época desportiva de 1962/63 é o objecto desta rubrica. A seu tempo se verá porquê. A partir da leitura dos jornais locais, preferencialmente do “Jornal das Aves”, procuraremos recordar acontecimentos e retratar ambientes e personagens da nossa história desportiva. Muitos protagonistas e participantes dos acontecimentos relatados na imprensa ainda estão presentes, porque 50 anos não é há tanto tempo assim, e eles poderão relembrar e confirmar o que se descreve.

Agosto e Setembro de 1962

1 –  A electrificação do campo foi o objectivo de uma comissão que parece disposta a desistir, quando já tinha realizado uma soma razoável.
A equipa de ciclismo do clube participou em diversos circuitos (Aldoar, Lousada, Gondomar e outros). No 8º Circuito das Aves (Populares), realizada no final de Agosto, a nossa equipa esteve em destaque: Manuel de Oliveira foi o primeiro (ex-aequo com um atleta do FCP), César Luís o quinto, José Correia o sexto, Noé Ribeiro o sétimo e Noé Azevedo o oitavo. Um elemento da secção de ciclismo (Manuel Ferreira Certo) participou como estafeta na Volta a Portugal em bicicleta.
Os columbófilos da S.C. das Aves encerraram a época com o concurso de Valença do Minho.


No 2ºCircuito de Motorizadas da Vila das Aves predominaram as Sachs e as Kreidler. Os condutores da nossa terra tiveram actuação destacada: o Armando M. Russo (Paredes) obteve o quarto lugar na categoria Sport e o Floriano Moreira o segundo em Especial.
Em Santo Tirso, o 1º Rallye de Donas Elviras levou uma multidão ao Parque a ver os bólidos, atrapalhando a gincana dos velhos carros. O primeiro prémio foi para um Lancia de 1928.
Os pescadores desportivos do “Pic-Nic à beira rio” repetiram o seu concurso de pesca seguido de leilão a favor dos pobres que já vinham realizando há cerca de dez anos. A pouca água não permitiu pesca abundante (7 kgs de peixe) e o vencedor foi Manuel da Silva, seguido de Álvaro de Sousa e de Serafim de F. Gouveia.

2 – O verão foi animado pelo Torneio Popular de Futebol que o Fontainhas ganhou, em despique, na fase final, com o F.C. de Delães, que foi segundo, o Bairro e a Florentina.
Relativamente à equipa de honra do desportivo, a pré-época, como se diz agora, foi agitada pela eventual revisão da suspensão de um ano ao Miranda, aplicada pela direcção cessante e notícia da provável saída do Zé Pereira para o Salgueiros (constando que o Vitória, o Tirsense e o Boavista também estavam interessados no jogador) e do Costa para o Vizela. Foi contratado como treinador-jogador o Dieste, que pelo primeiro treino demonstrou categoria e isenção, porque tanto manda parar as jogadas dos titulares como dos reservistas.
Loureiro, entrevistado pelo Jornal das Aves, lembrou que já levava 17 anos de atleta do clube e nove de capitão, revelou estar com excelente disposição e garantiu que “se todos quisermos, voltamos esta época à primeira divisão”. Trata-se da primeira divisão regional, não façam confusões.
O cronista desportivo do Jornal das Aves, Luís Freitas de seu nome, deixou clara a sua visão do momento: “Onde está o verdadeiro amor à camisola que se veste? Confessamos sinceramente que temos saudades daquela idolatria à camisola rubro-branca do Desportivo das Aves que era apanágio dum Albano, dum Gentil, dum Toninho, dum Ventura, dum Zeca, dum Álvaro, dum Bernardino, dum Pereira Lopes e de outros tantos daquela geração. Agora, ou se joga para se ser ídolo ou apenas com os olhos nos prémios de jogos. E isso é muito pouco.”
Quem quer comentar, cinquenta anos depois?


sábado, 20 de outubro de 2012

Associação Humanitária das Aves

Primeira ambulância e primeira pedra: 23 de Junho de 1979
Registo em super 8 de autoria do sr. António Costa, a partir de cópia digital da Junta de Freguesia.
A cerimónia decorreu no terreno onde está instalado o Centro de Saúde, que havia sido cedido pela Junta de Freguesia para Quartel dos Bombeiros. 
Presentes,para além das pessoas assinaladas com legenda, o Bispo de Portalegre, D. Agostinho de Moura (que residia no Convento da Visitação), o pároco Monsenhor José Ferreira e o Governador Civil do Porto.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O "cerco de S. Sebastião"

Arnaldo Gama também faz referência ao "Cerco de S. Sebastião" em S. Miguel das Aves, em época anterior àquela a que o Padre da Barca se refere.

 No volume  "Só as mulheres sabem amar", 1ª parte de  "Verdades e Ficções" e, mais precisamente na novela "Um defeito de organização", datado de 1852, o autor portuense que também viveu por cá e que situa cá todo o desenrolar da novela, como já referido aqui, põe na boca dum popular a frase: " benho todo cheio de nadoas de binho, e ainda por riba perco o cêrco de Martle e a museca de Riba d'Ave, que bai função rija".
Para explicar de que se trata, o autor escreveu em nota de rodapé:

" Creio que não há aldeia alguma do Minho onde S. Sebastião não seja festejado com missa cantada e procissão, uma vez cada ano. É isto que se chama o cêrco do Martle, que é a procissão do Corpus para o lavrador do Minho. Este costume, tão geral, é resultado da promessa feita por um dos nossos reis, em consequência da peste que assolou o reino. Se bem me recordo, foi D. João III.


Relativamente à vizinha freguesia de Lordelo, cujas tradições e costumes não serão muito diferentes, dizia o respectivo pároco em 1842, respondendo ao Inquérito Paroquial dessa data, que se pode ler na íntegra  aqui:


"Os festejos mais usuais é a Procissão do Cerco de S. Sebastião, que se faz anualmente, e que os povos não afrouxam em semelhante função; a experiência o mostra, porque todos concorrem para ela."


As procissões do Cerco de S. Sebastião foram "proibidas em finais do século XIX. No bem estudado arquivo da freguesia de Beiriz conserva-se a “Provisão Pastoral do Arcebispo de Braga”, datada de 4 de Junho de 1872, interditando estas manifestações invocando que “se tem convertido em occasião de muitas irreverencias, desacatos e peccados, já por que atravessando montes e sitios escabrozos e caminhos defficeis não é possivel guardar-se nellas a decencia e respeito que deve observar-se em todos os actos do culto divino; já porque esfriando a fé e devoção que aconselhou o establecimento destas solemnidades, e augmentada a immoralidade de que tudo abusa, têm-se tornado incentivo para ajuntamentos profanos, nos quaes nem a religião, nem a moral publica são respeitadas” (in Deolinda M. V. Carneiro, As procissões na Póvoa de Varzim 1900 1950, Tese de Mestrado UP, consultada em http://www.memoriamedia.net/bd_docs/transcrioes_Povoa/imagin%E1rio%20religioso.PDF ).

Falta esclarecer porquê "do Martle",  na linguagem popular transcrita por Arnaldo Gama. Na novela, a palavra Martle aparece, noutro contexto, com o significado de Marte, o planeta (" de todos os plainetas que tenho bisto no Lunairo, aquele com que zango mais é o plaineta Martle") .
Mas é muito mais plausível que, no caso, martle seja corruptela de Mártir.
A procissão seria pois o Cêrco de S. Sebastião ou o Cêrco do Mártir (S. Sebastião).