sábado, 26 de janeiro de 2013

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local ) (7)


 (Publicado no jornal Entre Margens)

19 – O campeonato prossegue e os resultados obtidos pelo nosso clube dão a entender que vai ser uma época para recordar:
             - Aves 3 – Perafita 1. “O jogo foi em Santo Tirso mas parecia no nosso campo (…). Estavam lá quase todas as caras que tinham ido a Ermesinde e mais, muitos mais que lá não tinham ido. Até lá estavam as mesmas bandeiras a tremular ao vento e a querer dizer que tinham confiança. A eterna doença dos domingos à tarde!...” “Aquela exibição de domingo foi para esquecer a tarde cinzenta de Ermesinde ou para nós nunca sabermos quando podemos  confiar neles?”.
            - Paços de Ferreira 2 - Aves 3.  Apesar da exibição não ter sido grande coisa, mais uma saída vitoriosa. Os nossos atletas estão moralizados e amanhã, contra o Rio Ave, saberão aproveitar o factor casa e conquistar mais uma vitória.

20 - O jogo de Juniores contra o Freamunde não se realizou por não ter comparecido a força de policiamento. O nosso Clube foi assim derrotado por deficiente organização do jogo, que afinal parece ter sido da responsabilidade da GNR de Santo Tirso. “Terminou assim, sem glória, uma prova em que os nossos rapazes, se não foram brilhantes foram pelo menos esforçados e corretos, pois em treze jogos que disputaram nenhum dos elementos utilizados sofreu qualquer castigo”.

21 – Pelos jornais da época podemos verificar que foram anunciadas três sessões de cinema no Cine-Aves para o dia de Natal, tendo sido projectado “Hércules e a Rainha”, um filme de 1959 com Steve Reeves e Sylvia Koscina. Cultura clássica, estão a ver?
O cinema era um dos divertimentos mais comuns. A televisão tinha começado há bem pouco tempo e os aparelhos eram caríssimos e raros. Daí o lamento do cronista:  a sede do clube “praticamente” não tem televisão: o aparelho que lá está era preferível não estar, para não enganar ninguém…  E a sede não é só uma casa para tomar café e jogar o dominó…

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Foco sim, foco não...




Cheias...

  
Escreveu  o Padre António de Xisto ( ver aqui ) que "até há cinquenta anos os habitantes de S. Tomé de Negrelos e de Rebordões, e toda a gente dizia que o lugar de Caniços era o inferno" ...
Vejam lá, o inferno em tempo de cheia em 2013 (19/1/2013) e em época de calmaria em 1909:








No Amieiro Galego, o rio Ave não esteve longe dos níveis de 1909 assinalados na parede da casa da turbina.


Colares?

... ou vai dançar o  "hoola hoop" ? 
Apenas um arranjo dos "circuitos pedonais"...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Taça, na Luz...

As nossas águias não se vêem tanto  quanto as deles mas também as encontramos por aí...
No Lugar da Barca, Vila das Aves

Em Cabanas, Monte Córdova, voltado para o vale.









































Haja Taça...
(de abola.pt)









(de zerozero.pt)

Esta é a terceira vez que Benfica e Desportivo das Aves se encontram no Estádio da Luz numa partida para a Taça de Portugal. Nos dois jogos anteriores, que resultaram em dois triunfos dos lisboetas, confirmou-se o favoritismo dos da casa.

O primeiro confronto aconteceu em 1997, com Benfica e Desportivo das Aves encontrarem-se, tal como agora, nos oitavos-de-final. Os encarnados venceram por 3x1 após prolongamento, com golos de João Vieira Pinto, Valdo e Nica Panduru.

O segundo duelo entre os dois emblemas aconteceu em 2008, na quarta eliminatória, e o Benfica venceu de forma fácil por 3x0. Os golos tiveram a assinatura de Hassan Yebda, Luisão e Maxi Pereira.








Esperando para ver...

... tempestade ou bonança?

domingo, 30 de dezembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local ) (6)



15 – O nosso clube ganhou em casa ao Serzedo com certa dificuldade. Houve uma quebra de rendimento devido ao facto do nosso grupo ter jogado todo o jogo praticamente com dez elementos. “Estará o nosso clube necessitado de utilizar jogadores em inferioridade física? Podemos afirmar que não. Então porque se fez alinhar Armando Almeida naquelas condições? Será por ter marcado dois golos na Lixa ou até porque fez uma boa exibição? E se na semana seguinte a uma boa exibição ele ou outro qualquer partir uma perna, no domingo seguinte irá para o campo jogar de muletas?”

16 – Os juniores fizeram um jogo agradável contra o Tirsense mas depois “recuaram até eles mesmos”. A utilização indiscriminada da bancada nesse jogo deu origem a uma iniciativa da direcção para garantir que a bancada seja para os sócios que a ela tenham direito. Outro aspecto, dizia o cronista, é o de estar sentados, porque estar de pé prejudica a visibilidade dos que estão sentados. “Se o assento está frio, ou húmido, aluguem uma almofada, que o Clube tem lá muitas para esse fim e, se não querem gastar os dez tostões, tragam uma de casa, que também não é proibido.”

17 – O resultado do jogo contra o Valonguense (4-1, a nosso favor) foi bom. Mas a expulsão do Dieste e os desacatos que levaram à interdição do campo eram dispensáveis. E, no jogo seguinte, a equipa, que ainda só tinha sofrido três golos, foi perder a Ermesinde por 5-1. Uma desilusão: “um guarda redes muito batido, uma defesa sem segurança e a oferecer brindes, uma linha avançada toda desligada…”

18 – O cronista do Jornal das Aves, que temos seguido de perto para escrever estes textos, a certa altura do início da época desabafava: “…tivemos um clube grande na mão dos grandes e agora temos um clube pequeno na mão dos pequenos (…).É que, salvo honrosíssimas excepções esses senhores até deixaram de ser vistos no campo e na sede. Como há-de o nosso clube progredir?”.
A escolha da direcção, no início do Verão, não tinha sido fácil mas provou que um clube pode progredir mesmo que os “grandes” não apareçam.
 Era assim o elenco directivo de 1962/63: Serafim Rodrigues , presidente; José Ferreira Dias, vice-presidente; Abílio de Oliveira e José Xavier Coelho, secretários; Luís Gomes Magalhães e António Oliveira Marques Pinto, tesoureiros; Ernesto Correia de Sá e Joaquim Gomes de Sousa Nogueira, vogais.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Há 50 anos foi assim... (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local)(5)


12 – Já o Novembro ia longe e ainda o campeonato dava os primeiros passos… Parece mesmo que  ainda não estaria definitivamente fechado o plantel, como se diz agora. Isto porque o cronista, para além de criticar a aquisição do guarda-redes, referia o atleta Pilú, regressado da Índia, onde cumprira serviço militar e estivera preso na sequência da invasão do território pelas tropas de Nheru: “chegou a convencer-nos de que poderia ocupar qualquer lugar dentro da equipa”, mas “ os senhores grandes da nossa terra deixaram de se interessar pelo clube e já nem sequer facilitam nada aos atletas”. Sabe-se lá se não terá sido o trauma de guerra a impedir uma grande carreira futebolística. No livro, publicado muitos anos mais tarde, sobre a sua vivência naquele território, Luís Pinto, o Pilú, realçou bem a importância do Desportivo das Aves nos seus anos de juventude e diz, a certo ponto, sobre o Toninho Pepino: “este homem nunca mais o esqueço porque enquanto prestava serviço militar normal na Índia, sempre fez o favor de me escrever e contar como ia decorrendo a vida do nosso Clube Desportivo das Aves”.

13 – A secção de Ciclismo festejou o 1º aniversário e expôs os troféus da época: “é uma secção que não pode acabar, mesmo que custe muito sangue, suor e lágrimas”.

No foto (a partir da esquerda): Machado, Fernando Adães, António Machado (treinador), Luís Machado, Manuel Jorge, Manuel Oliveira, Noé Azevedo, Ventura (massagista), David Adães e Certo.
14 – No que diz respeito aos resultados, “o nosso clube não conseguiu passar na deslocação a Amarante. Já o esperávamos”. Mas, na Lixa, a sorte foi outra e se as esperanças de ganhar se baseavam no Zé Pereira e no Dieste, que já podiam jogar, quem acabou por ser  o herói do jogo foi o Armando Almeida… O Desportivo ganhou por três a dois, com dois golos do referido atleta, que veio a ser presidente do clube com enormes sucessos desportivos. Ficamos, pois, esclarecidos, sobre as origens da extremada paixão do Presidente Honorário pelo Aves pelo seu clube: ele também teve tardes de glória com a camisola rubro-branca!


sábado, 22 de dezembro de 2012

Boas Festas...

Boas Festas!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local) (4)


  (Publicado no jornal Entre Margens)

9 – A data do Jornal das Aves é 3 de Novembro de 1962 e a crónica diz: “começou, finalmente, no passado domingo, o campeonato distrital da 2ª divisão. O nosso clube recebeu o Castelo, a quem venceu por três bolas a duas. Não se pode dizer que o jogo tenha sido tão difícil como se pode depreender do resultado. Mas também não se jogou bem. Dominou-se bastante e só nisso estará o mérito da nossa vitória. De futebol limpo, apenas esteve em campo o nosso desejo. (…) Ganhou-se o primeiro jogo do campeonato, coisa que já há algumas épocas não se verificava. Talvez isso seja bom prenúncio.”
   “Impressionou-nos a forma como apareceu o Miranda, depois de tanto tempo parado. Quase todos os ataques nasceram dos seus pés”, dizia o cronista, que noutro texto questionava a ausência do Loureiro, alegadamente porque a direcção “não lhe pagava a noite de sábado para domingo, que ele não podia trabalhar para poder jogar”. A versão da direcção era de que só havia feito dois ou três treinos e que por isso nem sequer era convocado.

10 – O segundo jogo, oito dias passados, foi uma derrota: Cruz 2- Aves 0. O cronista demonstra preocupação porque derrotas como esta serão consequência da fragilidade da nossa equipa: “resta-nos, para já, uma equipa bastante esfrangalhada”, receando que alguém que venha ainda para compor a equipa “já não venha a tempo de salvar o barco que começou a meter água”.
Na foto: Soares dos Reis, Fernando, Carvalho, Mocho, José Maria, Neira, Lucas e Leandro (massagista); Miranda, Dieste (treinador), Soeiro, José Pereira e Loureiro.

11 – Um jornal diário anuncia por estes dias que o Desportivo das Aves acaba de fechar contrato com Soares dos Reis, que na época passada actuou no Futebol Clube do Porto, a guarda-redes. “É possível que o novo reforço do Aves possa alinhar já amanhã contra o Amarante, resolvendo assim as dificuldades criadas pela reprovação do titular Barros no Centro de Medicina Desportiva”. Outro jornal refere que os quadros do Clube estavam enfraquecidos pela saída de alguns para o futebol corporativo.

12 – Como é que um guarda-redes do Futebol Clube do Porto se muda para um clube da 2ª regional, depois de ter estado, ao que parece, pronto a assinar pelo Académico de Viseu? O que é que faz com que um jovem citadino venha viver na Pensão Alicate, no lugar da Ponte, Negrelos, para jogar no Desportivo das Aves? Ao que parece, havia relações de amizade e de negócios entre os presidentes dos dois clubes que facilitaram a transferência. E depois, o atleta encontrou por cá, por esses dias, a alma-gémea que o amarrou a esta terra e lhe proporcionou um contrato para a vida e que por cá o mantém, depois de uma carreira de futebolista profissional em vários sítios e de emigrante e desportista que continua a ser. Ou não fosse ele, hoje, um dos “Ases do Pedal”.  


domingo, 25 de novembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local) (3)


  (Publicado no jornal Entre Margens)

6 – Lá se realizou o sorteio mas não há meio de começar o campeonato, cujo início foi outra vez adiado. Só em 28 de Outubro começará, finalmente, a bola a saltar!
O campeonato de juniores já rola e o Tirsense, após uma derrota por falta de comparência, defrontou o seu velho rival com apenas com nove elementos por não ter mais disponíveis. E mesmo assim, levou de vencida o Desportivo por duas bolas a uma! Bolas!


7 - Dieste, o treinador-jogador apresentado como a única aquisição para a nova época, em entrevista ao Jornal das Aves, declarou: “estou convencido de que temos uma das melhores equipas da nossa divisão”. E disse mais: “sinto-me bem, como em família. Devo no entanto dizer que já vinha a contar que assim fosse, pois que jogadores e treinadores que por cá têm passado me tinham dito que o ambiente aqui era sempre dos melhores.” Há 10 anos em Portugal, o nosso treinador tinha representado antes o Tirsense, o Porto, o Espinho, o Feirense e o Arrifanense.

8 - Ainda se discute o caso do Zé Pereira. Parece ter havido acordo para a cedência do atleta por três épocas por trinta e cinco contos e um jogo no nosso campo, mas depois disso o Salgueiros nunca mais apareceu mas o atleta continuou a treinar lá. O cronista do Jornal das Aves desespera por saber com quem podemos contar e, relativamente ao caso do Costa, pretendido pelo Vizela, diz que se entrou numa fase cómico-dramática, acusando o clube interessado de “utilizar os mais variados truques para ganhar um jogo que a nossa direcção pôs claramente na mesa”. O mês de Outubro está quase no fim e aproxima-se o início da época. Saberemos, não tarda, que, afinal, o Zé Pereira fica e o Costa ruma a Vizela…


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local) (2)


(Publicado no jornal Entre Margens)



3  – “Os verdadeiros sócios do Clube são os que pagam sempre as suas cotas nas horas boas e más, que estão presentes na sede e no campo, que riem e choram com o riso e choro do  Clube, que se sacrificam pela sua existência, que vão às Assembleias, não para lavar roupa suja, passe o termo, mas para falar com o coração a sentir os interesses do Clube e os olhos postos na sua continuidade”. Era a sim que falava o cronista, num escrito intitulado “Factos e Conciderações”. O início do campeonato tardava e aproveitou-se o atraso no arranque dos jogos oficiais para realizar a festa do jogador Loureiro: “realmente, quem já dá há dezassete anos a sua colaboração ao C. D. das Aves sem nunca regatear o preço do seu esforço e da sua dedicação, bem merece o apoio moral e material de todos os desportistas da nossa terra”. A festa de homenagem contou com a colaboração da A.D. de Fafe e o Aves ganhou por uma bola a zero. Aos quinze minutos, o jogo foi interrompido para a homenagem ao jogador, que de seguida abandonou o rectângulo de jogo.

4 – O Jornal das Aves, começou a apresentar um palpite do Totobola avisando, com seriedade, que “não somos infalíveis e que, portanto, não se devem seduzir pelo nosso prognóstico”.
Em Santo Tirso ficou registada a realização de festivais com a colaboração de alguns consagrados artistas, com entradas a 25 escudos por pessoa. Um preço exageradíssimo para a época, dizia o correspondente, juntando uma crítica demolidora: quem gastou 70 contos a fazer um quarto de banho num dos recintos também devia ter dinheiro para umas festas populares para a maioria da população de Santo Tirso, que como deviam saber os senhores do Turismo, é de operários fabris.

5 - O Tirsense conseguiu eleger uma direcção, depois de uns meses de crise e desejava-se o seu regresso à segunda nacional. Nessa época, o clube da sede do concelho andava na mó de  cima relativamente ao nosso Desportivo e não se defrontavam directamente. Nos tempos de hoje é o Desportivo que voa mais alto e, como vai haver, dentro de dias, um jogo da Taça de Portugal podemos reviver os antigos “derbys” doutras épocas. Em Setembro de 1962 realizou-se um jogo treino em Santo Tirso e ficou registado um certo contentamento para o Desportivo por ter perdido só por uma bola… Pensarão o mesmo, agora, os que nos virão visitar?
Haverá, certamente, diferenças para menos em número de assistentes de agora, já que existem muitos outros entretimentos e a vida é diferente. Mas os apertos financeiros, esses são os mesmos de sempre: as Finanças decidiram, há 50 anos, estabelecer a lotação do nosso recinto de jogos em “dois mil lugares de peão e duzentos e cinquenta e dois de bancada”, em vez dos quinhentos lugares de peão anteriores e, vai daí, a licença que custava trinta e oito escudos por jogo passou para cento e oitenta. Era “mais um apertozinho ao nó”, da parte das Finanças, na vida dos clubes pobres…