Tombo que se vai fazendo das coisas e dos factos do presente e do passado de Vila das Aves
quinta-feira, 11 de julho de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
"Mitologias" sobre a evolução da Vila das Aves (7)
Foi por nunca ter havido Plano de Urbanização para a Vila das Aves, com força de lei, que designámos estes textos de "mitologias"... A força das circunstâncias, em cada momento, modificou intenções mas nunca ao ponto de se promoverem interesses que não os colectivos. Aliás, só a circunstância de terem sido retidas receitas de montantes elevados, da energia eléctrica que a Junta vendeu e não pagou ao fornecedor, permitiu que a mesma Junta se tornasse proprietária dos terrenos do que se chamou depois "Loteamento das Fontainhas", que acabou por constituir o tal "centro integrador". E para a compra em condições vantajosas de tais terrenos terá contribuído, como força coerciva, a suposição de que havia um "Plano de Urbanização" devidamente aprovado.
Na verdade, cerca de 1986 houve uma mudança total da definição das políticas urbanísticas com a obrigatoriedade da definição de um Planos Director Municipal que arrumou com os estudos anteriores relativos à Vila das Aves. A definição do Plano Director, entregue a técnicos diferentes, fez começar tudo da estaca zero, se assim se pode dizer, desde a redefinição dos equipamentos necessários e sua localização, aos espaços verdes, zonas agrárias e industriais, etc... Foi aí, por exemplo, que ficou reservado o espaço para a Escola Secundária...
O Loteamento das Fontainhas foi totalmente reformulado (em relação ao projecto inicial dos autores do Estudo Prévio do Plano de Urbanização) e foi o núcleo inicial do centro urbano que actualmente temos e de que nos podemos orgulhar.
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| A julgar pelas onfra-estruturas, a qualidade do Loteamento das Fontainhas não seria a mesma se não tivesse havido redefinição do projecto. |
sábado, 6 de julho de 2013
"Mitologias" sobre a evolução da Vila das Aves (6)
Em 1980, os arquitectos tirsense F. Wenceslau Moreira Dias e A. Micael Amaral apresentaram um "Estudo Prévio do Plano de Urbanização de Vila das Aves", encomendado pela Câmara Municipal, o qual foi alvo de alguma discussão pública. Em 1983, a Junta de Freguesia promoveu a exposição das diversas peças desenhadas e promoveu um inquérito sobre o assunto.
As principais intenções do estudo eram: a definição de um perímetro urbano, a localização do equipamento urbano, a salvaguarda de zonas agrícolas e de zonas verdes, "a utilização de espaços abertos com potencialidades recreativas e de lazer, tendo em conta a recuperação dos rios", a "concretização de um centro integrador", a concretização de "dois centros comerciais de bairro", a criação de um Parque de Campismo...
Relativamente à localização dos equipamentos, fala na alteração da intenção de localização do Mercado, por motivo de aparecimento de Escola ( Bom Nome) e "a previsão de uma área destinada ao ensino secundário, relativamente próxima": será daqui que procedem as referências aqui tratadas e que, por várias pessoas tidas como se este "Estudo Prévio" tivesse tido, alguma vez, força de lei...
Ainda outra preocupação dos autores do estudo, que bem podia ter sido considerada com vantagens, sobretudo no caso do Campo Bernardino Gomes: " a valorização dos actuais recintos desportivos com reserva de espaços envolventes"...
A principal questão que se tem de colocar é: mas afinal, chegou a haver um Plano de Urbanização da Vila das Aves?
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| Aspecto do centro de Vila das Aves cerca de 1995 |
quinta-feira, 4 de julho de 2013
"Mitologias" sobre a evolução da Vila das Aves (5)
A ideia de um Plano de Urbanização para a nossa terra aparece em textos anteriores a 1950. Havia preocupações e cuidados com o desenvolvimento harmonioso da freguesia. Mas, como é habitual nestas coisas, o "mercado" foi muito mais rápido que o desenvolvimento das ideias. Assim, o Ante-Plano de 1966 tinha como limite poente a Rua Silva Araújo e o crescimento da Vila "explodiu" para Cense de forma não planeada. O Alto da Bandeira e Sobrado estavam também fora dos limites do Plano e cresceram sem parar.
Mas há ainda outro tipo de crescimento não perspectivado no Ante-Plano: o crescimento em altura. Assim, as orientações fundamentais eram no sentido de orientar a construção para zonas de habitações com um máximo de rés de chão e dois andares e outras de máximo rés de chão e três andares.
E foi a própria Junta de Freguesia (nos primeiros executivos eleitos) a ultrapassar essa ideia quando colaborou (cedendo um terreno que julgava ser seu!) na promoção da construção do Bloco de Habitações junto da Estação do Caminho de Ferro, inviabilizando uma ligação decente, bem desenhada no Ante-Plano, da actual rua Augusto Marques com a Avenida Conde de Vizela...
| O prédio à esquerda inviabilizou a ligação à Avenida Conde de Vizela prevista no Ante Plano de Urbanização. |
quarta-feira, 3 de julho de 2013
"Mitologias" sobre a evolução da Vila das Aves (4)
Em entradas anteriores referimos, do Ante-Plano de Urbanização de Vila das Aves elaborado em 1966 e que terá sido aprovado pela Câmara Municipal em 1972, de acordo com o que escreve o seu autor no posterior "Estudo Prévio do Plano de Urbanização (1980), a proposta de localização dos seguintes equipamentos colectivos:
- um mercado, em Bom Nome, junto à rua Srª. da Conceição e
- um hotel ( e um parque ?) onde hoje está a Escola Secundária.
Que outros equipamentos estavam apontados nesse Ante-Plano?
Não muitos, mas ambiciosos:
- Estádio, em Romão, fazendo face, pelo nascente, com o início da Rua Silva Araújo. O velho Campo Bernardino Gomes aparece "loteado" a norte e a nascente...
- Hospital, bem perto do sítio onde está agora o Pavilhão do Clube Desportivo das Aves.
- Quartel dos Bombeiros, na que é hoje a Avenida 4 de Abril e quase de frente para o actual Centro de Saúde.
- Igreja, uma nova Igreja, na zona que hoje faz parte do Loteamento das Fontainhas e que está mais chegada à Escola da Ponte.

terça-feira, 2 de julho de 2013
Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local ) (14)
45 – O final
da época futebolista de 1962/63 foi emocionante, quer a nível concelhio. O
Tirsense disputou o acesso à 2ª. divisão nacional com o Famalicão, tendo
empatado a duas bolas em Santo Tirso e a uma bola em Famalicão. Foi preciso uma
finalíssima, realizada no Campo da Amorosa, em Guimarães, que terá sido um
“acontecimento”, em termos desportivos. De Santo Tirso, além de 2 combóios
especiais, saíram mais 15 camionetas e centenas de automóveis e bicicletas. E
desta vez, o Famalicão levou a melhor, tendo ganho por um a zero. O Tirsense
teria que esperar outra oportunidade para subir.
46 – Para o
Desportivo das Aves, os últimos jogos do Campeonato Regional da 2.ª divisão
que, a 50 anos de distância, temos vindo a recordar são reveladores de classe e
de exibições convincentes: Ramaldense 1 – Aves 4; Aves 5 – Rio Tinto 0 e Aves 4
– Valadares 1.
O dia 2 de
Junho de 1963 foi dia de festa rija: “ cada qual a seu jeito deu largas à sua
alegria… A coisa tinha em si o paladar da recuperação do prestígio perdido e
tinha ainda a doçura da conquista de um título. Nada portanto mais justo”.
A equipa que
alinhou no jogo do título e cuja fotografia foi publicada no número anterior do
Entre Margens, era constituída por Soares dos Reis, Loureiro, Neira e Domingos;
Fernando e Dieste; Soeiro, Rapinha, Pereira Lima, Zé Pereira e Miranda. Nessa
foto estão também o guarda-redes suplente Lucas e o massagista Leandro Marques.
47 – O
cronista desportivo do Jornal das Aves, à época, era o Sr. Luís Freitas, que
fez a sua despedida com a crónica do título: ”cessa aqui o meu compromisso…
Faço-o, simplesmente, por ter reconhecido a minha incompetência para desempenhar
o lugar de acordo com o valor do Jornal”. Foi humildade a mais, sr. Freitas!
Pelo prazer que nos deu a leitura dos seus textos, o nosso obrigado!
48 - As
imagens valem mais do que as palavras e por isso limitamos o texto para dar
lugar às fotografias. Mas, relendo no Jornal das Aves a crónica “Pró-Vila das
Aves” que o Padre Joaquim da Barca, nos seus oitenta e tal anos, ainda ditava,
lá estão os parabéns ao presidente Serafim Rodrigues e à direcção, aos atletas,
sócios e simpatizantes e a recordação: “que pena não serem vivos o sr.
Bernardino Gomes, o José Castro Pedras, o Barros Lima e outros para verem a
figura que fez o seu idolatrado Club”.
domingo, 30 de junho de 2013
Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local ) (13)
42 – O
“Jornal das Aves” de 4 de Maio de 1963 comenta o empate a zero com o Rio Ave da
seguinte forma: “Terá o nosso grupo perdido ou ganho um ponto em Vila do Conde?
Não sabemos… Mas empatou um jogo eu podia ter ganho, não fosse a ineficácia dos
nossos avançados. E ainda se foi buscar o Rapinha, que foi, aliás, o nosso
melhor avançado, como se fosse o elixir para os nossos males. (…) Enfim,
perdeu-se o último ponto que se podia perder em relação ao Ermesinde.”
43 – O
campeonato aproxima-se rapidamente do fim, o Clube segue em primeiro lugar e
vai contando as semanas que faltam para a festa final. O resultado Aves 4-
Marco 0 é sinal de um alto nível exibicional, mas é preciso ler os jornais para
ficar a saber que o resultado podia ter sido bem mais expressivo, já que “a
bola esbarrou na trave pelo menos umas seis vezes, e já sem possibilidades de
qualquer defesa”…
Nos relatos
deste jogo é destacada a exibição do guarda-redes Soares dos Reis, que “se deu
ao luxo de defender magistralmente um penalti” e são referidos dois jogadores
como “regressados”: Pereira Lima e Pilú, aquele como avançado e este último
como defesa e em boa forma. Como já no jogo anterior se referia que “se foi
buscar o Rapinha”, fica-nos a dúvida: por onde andavam estes jogadores, que
aparecem assim de repente´, no final da época, a titulares? Porque não
apareceram mais cedo?
44 – Senhora
da Hora 4-Aves 1!. “Não temos grupo para subir de divisão”! “Os nossos
jogadores não têm brio nem vontade própria”! “O que era preciso era alguns dos
nossos atletas lembrarem-se no sábado à noite de que no domingo têm de fazer um
jogo que é preciso ganhar”. “O Ramaldense é a última saída e se perdermos este
jogo não voltaremos, por certo, ao primeiro lugar”… “É um jogo de vida ou de
morte para as nossas aspirações”.
sábado, 29 de junho de 2013
Inscrições
| Foto de 28 de Junho de 2013 |
As obras de beneficiação do Campo Bernardino Gomes avançam em bom ritmo.
Os jovens desportistas ficarão, finalmente, com um campo moderno, com a largura regulamentar (anteriormente não havia senão 50 metros de largura!) e com piso sintético.
A inscrição revela o montante da comparticipação camarária cujo mérito tem de ser reconhecido.
Para um Campo que o Ante-Plano de Urbanização de 1966 retalhava em lotes, que o Estudo Prévio do Plano de Urbanização de 1983 previa reservar os terrenos confinantes, o que não aconteceu, que uma desejada "Zona Desportiva", há bem menos tempo, dava a entender outro destino, verifica-se agora, com esta mudança de rumo, que terá um longo futuro. O Campo fez há dias 81 anos, pode durar outros tantos?
Há 50 anos foi assim… (O desporto na Vila das Aves, lido na imprensa local ) (12)
(Publicado no "Entre Margens"
38 - O
anúncio do jogo Tirsense – Vilanovense (a realizar logo após o interregno da
Páscoa, para o Campeonato Nacional da 3ª. Divisão) é muito optimista,
considerando que “tudo leva a crer que o Tirsense obterá mais um triunfo para
assim manter intactas as esperanças de subir à 2ª divisão”, no ano em que
comemora 25 anos de existência e a própria Vila comemora 100 anos com aquela
categoria.
O optimismo cedeu
lugar à raiva, visto que na semana seguinte vem a notícia da derrota por uma
bola a zero, “por culpa de um homem a quem deram um apito”… Pior ainda, o
Tirsense ficou com o campo castigado por um jogo. A notícia não esclarece
porquê, mas também não parece difícil de adivinhar… Isso irá custar bastantes sacrifícios, monetários e
desportivos, diz-se e pergunta-se: quando será que as autoridades tomam as
arbitragens a sério?
39 – Aves 3 -
Paços de Ferreira 1. “Sem que tenha feito uma exibição espaventosa, o nosso
clube praticou um futebol de razoável valia” … e mereceu a vitória.
Vista assim
à distância, a série de crónicas parece insistir sucessivamente em “bater” no
Zé Pereira, mas desta vez é só elogio: nos dois primeiros remates fez dois
golos… Ora, se “isto vem provar o que sempre dissemos, para se marcarem golos é
preciso rematar muito e de todos os ângulos”, eu fico baralhado com a lógica do
comentador, pois o avançado do Desportivo, desta vez, só precisou de dois
remates…
40 – Pelos
jornal local de fim de Abril de 1963 também tomamos conhecimento de que se
celebravam 35 anos de Salazar no governo da nação … “onde continua firme”,
sabendo que “ a Nação atravessa momentos únicos na sua história multisecular”.
“O povo continua, e muito bem, a confiar no homem”, escrevia-se.
41 – A
contrastar fortemente com o tom sisudo deste elogio salazarista, a crónica de
Monte Córdova abre com uma notícia intitulada “Continua morta na margem do
rio…” para dizer logo de seguida que “as necessidades imediatas premem os
habitantes de Cortinhas e das aldeias da mesma vertente a reclamarem a ressurreição
da estrada que morreu na margem direita do rio Leça”. Perante tão exuberante
ironia, terá a Câmara reagido positivamente?
quinta-feira, 20 de junho de 2013
"Mitologias" sobre a evolução da Vila das Aves (3)

O Anteplano não é explícito (pelo menos nas peças a que tivemos acesso, relativamente ao Parque. Mas, quanto ao Hotel ( e não Pousada) está devidamente apontado para a Bouça do Santos Melo, na zona onde se situam hoje os campos de jogos da Escola Secundária ( assinalado com 9). Numa lógica de integração, o Hotel estaria no Parque?
É curioso verificar que a rua D. Afonso Henriques cumpre o traçado do Anteplano e apresenta, ainda hoje, o início de duas ruas nunca executadas: a ligação com a rua 25 de Abril e uma ligação para a Avenida Conde de Vizela por detrás da Escola onde se situa hoje a Sede dos Columbófilos (3).
quarta-feira, 19 de junho de 2013
"Mitologias" sobre a evolução da Vila das Aves (2)
Tendo verificado, no escrito anterior, que não é verdade que o (Ante)Plano de Urbanização previsse para Bom Nome uma Escola Secundária, seria interessante averiguar que é que previa, efectivamente, o referido ante-plano em matéria de equipamentos colectivos e onde os situava.
A listagem incluída numa das peças do ante-plano é a que se apresenta. No que se refere a escolas, a referência serve para mais do que uma. Onde? Curiosamente, aparecem apenas referidas as escolas primárias que existiam nessa época, não havendo sequer referência à Telescola, que funcionava na Junta de Freguesia desde 1965.
A listagem incluída numa das peças do ante-plano é a que se apresenta. No que se refere a escolas, a referência serve para mais do que uma. Onde? Curiosamente, aparecem apenas referidas as escolas primárias que existiam nessa época, não havendo sequer referência à Telescola, que funcionava na Junta de Freguesia desde 1965.
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