domingo, 27 de abril de 2014

A distribuição de electricidade na Vila das Aves até 1983 (1)

O acordo celebrado em 1983 entre a Câmara de Santo Tirso (sendo Presidente da Câmara Joaquim Couto, no seu primeiro mandato) e a EDP retirou à Junta de Freguesia de Vila das Aves a distribuição de energia eléctrica em baixa tensão, actividade que era exercida pela Junta desde 1930.

Cabine de Bom Nome, demolida na
depois de 1990
O acordo entre a Câmara e a EDP não tem nenhuma referência à exploração da distribuição eléctrica pela Junta de Freguesia de Vila das Aves mas isso  não impediu a aplicação do acordo nas questões que à Vila das Aves diziam respeito.
 A Junta de Freguesia de Vila das Aves era proprietária de uma rede eléctrica instalada ao longo de 50 anos,  tinha funcionários dedicados em exclusivo a essa actividade, tinha contratos estabelecidos e tinha recebido cauções e garantias, e, apesar de tudo isso, não houve nem uma referência, na transacção, aos direitos da Junta.
Mais intrigante do que isso, porém, é que não haja nos registos da Junta de Freguesia de Vila das Aves, nenhuma deliberação relativa a estas transacções. Pelo menos não é do nosso conhecimento nenhuma acta ou documento, pelo que se porventura estivermos equivocados, desde já agradecemos toda a informação possível.
Pretende-se com esta abordagem fixar alguns registos que permitam ajudar a descrever com fidelidade o que se passou. Muito embora se possa especular se a Vila das Aves perdeu ou ganhou com este processo, não é essa a nossa motivação e deixamos a avaliação do processo para quem o queira fazer.
O protocolo entre a Câmara e a EDP diz assim:
"A Câmara Municipal de Santo Tirso (...) concede à Empresa Pública Electricidade de Portugal, EP (...) o direito de estabelecer e explorar o serviço público de energia eléctrica em baixa tensão na área do concelho de Santo Tirso.Este serviço público destinado a promover e satisfazer as exigências de desenvolvimento social e económico da população consiste em assegurar a iluminação pública e o fornecimento de energia eléctrica a entidades públicas ou particulares, por meio de distribuição em baixa tensão.""Esta concessão, que tem início em 01/10/1983, implica a transferência para a EDP do exercício dos direitos e poderes da Câmara necessários à gestão e exploração do serviço público de distribuição de energia eléctrica em baixa tensão durante o prazo de concessão ou enquanto esta subsistir."" A actividade concedida será exercida em regime de exclusivo em toda a área do concelho de Santo Tirso."

domingo, 30 de março de 2014

Inscrições

No canudo da "traineira", fotografado em Nov de 2013

segunda-feira, 17 de março de 2014

"Lucta Operária"

O título reproduzido na figura é o número 1 de um jornal operário publicado em Burgães no ano de 1910 por Zeferino Moreira Coelho.
Tem data de 25 de Setembro desse ano e designa-se como "semanário defensor das classes operárias, comércio e indústria". E como a Fábrica de Negrellos era, à época, a maior têxtil da região, para conhecer as condições de vida na nossa região é preciso ler estes periódicos.

Este jornal parece ligado a um movimento de constituição de uma associação de classe dos operários têxteis (o director e proprietário do jornal também assina, como presidente, neste primeiro número, um aviso de adiamento da reunião que haveria de tratar do funcionamento de tal associação, marcada para o lugar da Boavista, em Rebordões, na loja de fazendas de David António da Silva Moreira). 

No conteúdo dos primeiros números é bem clara a intenção de lutar pela melhoria das condições de trabalho e são feitas referências a uma greve geral que terá tido lugar em Julho de 1910 ("foram nada menos de oito mil operários que fizeram paralisar, com a falta do seu braço, treze estabelecimentos fabris")( ver nº 2 do citado jornal) e às razões de tal greve: "o salário mesquinho, os vexames e as violências sucediam-se indeterminadamente há longo e estirado tempo. Homens e mulheres, arrancados ao campo para a faina das fábricas, uma ignorância trágica e a exploração infame por parte dos industriais, haviam-os tornado excelente rebanho para implacável tosquia.  Em verdade, a situação dessa gente não era superior à dos escravos".
Outra passagem refere o trabalho  infantil e os castigos: " aos rapazitos de 11 a 13 anos eram confiados duros trabalhos, próprios de homens, pela mísera recompensa de 60 a 80 reis por dia! A activar o zelo deste pobres mocitos, os empregados sovavam-lhe o lombo a cacete ou faziam-lhes inchar as mãos a palmatoadas!"
Há referência, também, à "compra" de votos em eleições, nomeadamente em Riba d'Ave e em Negrellos: "metia nojo ver, nas eleições passadas, o eleiçoeiro de Riba d'Ave junto da urna a entregar listas aos seus operários para o candidato amigo! E porque um ou dois desses operários o não fizeram , daí a dois dias arremessou-os à miséria retirando-lhes o trabalho" e  "na fábrica de Negrelos outro tanto sucedeu e, senão obrigaram os operários a da-lhes o voto, mandaram pessoas pelas portas a pedir às pessoas de família dos operários para comparecerem nas assembleias dando o voto por aqueles onde os seus filhos trabalhavam."

Reprovações contra o governo por falta de legislação de protecção aos trabalhadores e apelo a estes para aderirem à associação de classe estão sempre presentes e é notável um sentido de liberdade do director e editor: " sem paixões partidárias, temos ao menos, à falta de outra, esta superioridade: a de podermos dizer sem rebuço, sem convencionalismos embaraçantes, a verdade como a pensamos e sentimos".

( O segundo número da Lucta Operária saiu dez dias antes da implantação da República...)

Nota: ao prof. José Machado, o meu obrigado pelas fotocópias...


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A Biblioteca das Aves


O professor Justino Viana (Justino Pereira Viana) natural de Oliveira Santa Maria,exerceu as suas funções nesta terra de S.Miguel das Aves a partir de 1928 até finais de 1931.Durante o seu magistério lutou por melhores condições nas escolas da freguesia e na hora da saída deixou a sua biblioteca particular à Junta desta terra na pessoa do presidente João Padilha. (Ver História do ensino na Vila das Aves, ed.da Junta de Freguesia, 2011).
A fotografia ilustra o acto solene dessa entrega que teve a presença da filha do professor referido.
Como curiosidade, refira-se que o mesmo professor tem uma ru(inh)a com o seu nome em Vila das Aves.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Desportivo das Aves

Numa época desportiva muito boa ainda podemos sonhar com a subida ao primeiro nível?
(O emblema do  Clube Desportivo das Aves num jardim de casa particular no centro da Vila mostra que, para muitos avenses, o apreço pela agremiação não está dependente dos resultados de uma das equipas...)


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Manuel da Silva Mendes, pedagogo, em Famalicão, 1898

Interessante notícia sobre o nosso conterrâneo Manuel da Silva Mendes encontrada aqui :
http://dopresente.blogspot.pt/2012/03/manuel-da-silva-mendes-pedagogo-em.html

( Notável atitude, a de Manuel da Silva Mendes, entregando de forma gratuita a outros a instrução que gratuitamente havia começado a  receber na Escola Particular  do Sr. José Maria Garrett, em S. Miguel das Aves...)

Reza assim a notícia da notícia:

O jornal "O Minho", de Rodrigo Terroso, (1866-1925), órgão do Partido Progressista em Vila Nova de Famalicão, é um daqueles jornais que, ao lado de "O Porvir", do republicano Sousa Fernandes, mais noticiaram sobre a vida de Manuel da Silva Mendes (1867-1931) por terras de Vila Nova, até se deslocar para Macau em 1901, por influencia de Santos Viegas. Filósofo, político e pedagogo, destacando-se como um dos mais reputados sinólogos, será precisamente o jornal "O Minho", no n.º 24, de 17 de Março de 1898, e na sua rúbrica "Noticiário" nos informa o seguinte, com o título curso de francês: "Participa-nos o nosso amigo sr. dr. Silva Mendes que no propósito de auxiliar alguns rapazes do comércio que desejam aprender a linguagem francesa e ou não tenham meios ou não têm horas no dia em que possam frequentar aquela disciplina geral (pois que na vila não há curso nocturno), resolveu abrir um curso em horas em que todos o possam frequentar. Por isso, pede-nos que anunciemos este seu propósito, com a declaração de que a frequência é gratuita e nocturna, em lugar e hora que brevemente este jornal dirá. Os indivíduos, pois, que desejarem frequentar, deverão entregar o seu cartão nesta redacção. Adverte-se que podem frequentar tanto os empregados no comércio como outras quaisquer pessoas. Os compêndios a adoptar serão oportunamente designados." E segundo notícia a 24 de Março, ficamos a saber que as aulas se realizarão na Associação dos Bombeiros Voluntários, sendo os compêndios os mesmos dos liceus. O curso dirigido por Silva Mendes funcionava durante três dias na semana: terças, quartas e sábados, desde as 19h30 até às 20h30.




sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Doação do Conde de S. Bento: a Escola Conde de S. Bento


Certidão da escritura de doação que o Conde de S. Bento fez à Junta de Paróquia de S. Miguel das Aves das Escolas Conde de S. Bento, em Quintão.








quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Presépios

Como já vai sendo tradição, são muitos os presépios espalhados pela vila. Aqui o registo de dois deles: o do Lar da Tranquilidade e o do jardim do Quartel dos Bombeiros.


domingo, 22 de dezembro de 2013

ASSOCIAÇÃO DE CLASSE DOS OPERÁRIOS DA INDÚSTRIA TÊXTIL DE NEGRELOS (2)


(Já foi aqui referida mas infelizmente já não há acesso com  o link aí inserido).


















Todo o documento aqui




terça-feira, 12 de novembro de 2013

Fotos antigas

O acesso ao cemitério de Vila das Aves, desde 1925 até ao final dos anos sessenta do século XX, fazia-se por uma escadaria de pedra situada do lado norte da Capela-mor da Igreja No cimo da escadaria, havia um enorme portão de ferro que se vê na foto.
Deve haver por aí quem tenha fotografias aí tiradas porque as grandes fotografias de grupo, antes da construção das escadas da frente da Igreja ( cerca de 1960), eram tiradas nas escadas do cemitério.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ilustrações dum livro de 1928 (do Padre Silva Gonçalves) (4)






Esta é a fotografia mais interessante do conjunto publicado no livro do Padre Silva Gonçalves. As obras efectuadas entre 1921 e 1925 contemplaram apenas a Capela-mor. A ampliação, refere o Padre da Barca, consistiu em dar-lhe mais 4 metros de comprimento e 1 em altura e mais duas portas e duas janelas.
A torre que se vê na foto não é a actual, visto que não está no meio da fachada principal e não é tão alta... Diz o Padre Joaquim na monografia que a primeira torre, de 1751, devia ter uns quinze metros "da base à grimpa" e teve um acréscimo mais tarde que a levou aos 19 metros (as sineiras primitivas, refere, eram visíveis pelo lado de dentro no seu tempo de rapaz de escola, tapadas a pedra e saibro...)
Na foto vê-se ainda o perfil do escadório do cemitério que foi demolido nas obras de ampliação e parece ter havido plantação de árvores novas no espaço a norte da Igreja, que era separado por um muro. Serão os plátanos que lá temos hoje?
O corpo da Igreja é nitidamente mais baixo que o actual: nas obras iniciadas em 1928 pelo Padre Álvaro Guimarães foi-lhe dada a dimensão que tem  hoje e colocada a torre no centro da fachada principal.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ilustrações dum livro de 1928 (do Padre Silva Gonçalves) (3)


Outra ilustração do livro do Padre Silva Gonçalves, mostrando como ficou a Capela-mor da Igreja paroquial depois das obras iniciadas em 1921 e que foi  modificada no final da década de sessenta do sec. XX com as obras de ampliação.