terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Rancho das Tecedeiras de Santo Honorato (2)

O Rancho Folclórico das Tecedeiras de Santo Honorato, Vila das Aves gravou vários discos de vinil, a tecnologia dos anos em que desenvolveu a sua actividade.
Alguma investigação terá de ser feita para tentar fixar a  ordem cronológica dos mesmos. É que apenas dois dos discos apresentam  na etiqueta a data do seu lançamento, ambos com a marca Orfeu, editados por Arnaldo Trindade e Cª. Lª, do Porto, sendo ambos de 1973.
 O disco contém 4 músicas: "Donde vens Maria" e "Mexe, mexe" na face A e "Tirana" e "Vira-velho" na face B. A fotografia da capa foi feita junto à Ponte Velha.


sábado, 27 de dezembro de 2014

Rancho das Tecedeiras de Santo Honorato (1)


Nas Festas da Vila das Aves de 2013 o Rancho das Tecedeiras de Santo Honorato prestou homenagem à sua fundadora e dinamizadora,  Dª. Alzira Gomes de Magalhães, na passagem do centenário do seu nascimento. 


O Rancho das Tecedeiras, tal como os outros grupos folclóricos de Vila das Aves, apareceu depois da organização, em 1955, de cortejos de oferendas para as obras do salão paroquial, tendo registada como data de fundação enquanto agrupamento folclórico, a data de 7 de Outubro de 1956.
A homenagem nas festas da Vila de 2013 mostrou os trajes típicos usados pelo rancho pela primeira vez depois do falecimento de Dª. Alzira em 1988, já que o rancho, efectivamente, terminou a sua actividade com o falecimento da sua fundadora.

Para além dos trajes, cuidadosamente conservados, como se pôde verificar em Abril de 2013, há outro legado que apresentaremos a seguir: os discos de vinil que o Rancho das Tecedeiras de Santo Honorato gravou.

domingo, 17 de agosto de 2014

Teatro ( 4 )

O elenco do "Grupo Dramático José Vaz", anexo ao "Grémio Regional Nun'Alvares" ( associação cultural, desportiva e recreativa fundada em S. Miguel das Aves em 1921)  foi publicitado no número 11 do Ecos de Negrelos.
Quem são os ilustres componentes do Grupo? Quem poderá encontrar nos gavetões das coisas antigas da família registos fotográficos ou outros destas actividades?

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Teatro (3b)

Outro anúncio da apresentação na Sant'Ana:

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Teatro (3)

O "Grupo Dramático José Vaz " já tinha apresentado o drama referido no post anterior na Sant'Ana, no início de Agosto de 1921, conforme anunciado no nº. 16 do  "Ecos de Negrelos"  O programa é extenso e está bem detalhado...
Neste programa ficamos a conhecer os nomes de alguns dos actores:



quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Teatro (2)

Da década de 20, do século passado, ficaram registos escritos dos eventos desta região numa publicação semanal que não durou dois anos (Abril de 1921 a Agosto de  1922): o semanário "Ecos de Negrelos", cujo cabeçalho indica publicar-se em Aves-Negrelos.
A edição do 20 de Agosto de 1921 anunciava um espectáculo de teatro no antigo Colégio da Carreira, cuja receita revertia a favor das obras da igreja paroquial já anteriomente referidas (ver também aqui ).
Esta notícia é muito curiosa não só por referir o espectáculo de teatro mas também por referir o nome do grupo (Grupo Dramático José Vaz) integrado numa associação ( Grémio Regional Nun'Alvares, por referir a participação de um grupo musical (Grupo Musical Avisense) e por indicar as peças representadas, um drama e uma comédia. O drama, "João, o "Cortamar"" , foi muito popular em várias regiões do país e uma consulta rápida na internet permite garantir que tem sido encenado recentemente. Este título foi referido várias vezes por pessoas já falecidas que lembravam a existência da sala referida no post anterior.
Refira-se ainda que o antigo Colégio da Carreira é o actual Mosteiro das Clarissas e que em 1921 estava desocupado em virtude do seu encerramento do colégio e da extinção das ordens religiosas pelo governo da República em 1910 ( ver aqui ). O Colégio tinha sido criado pelo sr. José Maria de Almeida Garrett ( assunto também já tratado aqui ). 
Muitas pistas de investigação, portanto...



terça-feira, 5 de agosto de 2014

Teatro...(1)

Recolhemos, em tempos, algumas informações sobre a existência de uma sala de teatro (décadas de 30 ou 40 do século XX) neste local.
Não tem sido possível encontrar testemunhos do que é que se fazia como teatro nem de nomes de actores / colaboradores.
Fica o registo, à espera de desenvolvimento.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Questões de propriedade

Já há algum tempo "postei" aqui uma escritura de doação que podia ter sido usada como prova de propriedade, por parte da Junta de Freguesia de Vila das Aves. Podia, mas não foi ... Procedeu-se de forma diversa porque se desconhecia o documento...

Noutra ocasião parece ter sido aceite sem discussão que o terreno onde se situa a Capela Mortuária  é propriedade da Fábrica da Igreja. Julgo ter sido esse o entendimento havido quando a Câmara Municipal de Santo Tirso promoveu a construção referida. Parece um entendimento lógico. Mas o documento seguinte prova que se trata de terreno que, tendo sido roubado à Igreja pelo governo da República que instalado aquando da implantação da dita, foi COMPRADO AO ESTADO PELA JUNTA DE FREGUESIA DE S. MIGUEL DAS AVES...
Para benefício da freguesia, é certo... Mas não consta que alguma vez tenha sido reintegrado nos bens da paróquia...


sábado, 31 de maio de 2014

A distribuição de electricidade na Vila das Aves até 1983 (7)


A posição da Junta liderada pelo Professor José Pacheco sobre a questão da entrega da rede eléctrica está expressa numa entrevista ao "Jornal das Aves", nº 4, Ano XXIV, 2ª série, de 1 de Maio de 1984.
À questão formulada por Joaquim Ferreira "como foi negociada a concessão da energia à EDP?", responde o Presidente da Junta que "embora o assunto já esteja ultrapassado",  que "já decorriam negociações quando da entrada em exercício da actual junta" e " defendemos quer os interesses dos funcionários quer a defesa  do perfeito abastecimento de energia". "Era o que mais nos  interessava neste caso". "Os funcionários foram reintegrados e, neste momento estamos no final do inverno sem que houvesse, felizmente, descargas nos postos de transformação e cortes de energia como era hábito haver am anos anteriores, dado que a EDP, após a concretização do dito protocolo, ligou todos os postos de transformação existentes". E disse mais: "o preço das taxas de potência". 
Mais adiante afirma "prestamos um bom serviço à terra e, por outro lado, não havia outra saída, com uma dívida de dezenas de milhar de contos que nós agarramos, perante a qual a EDP poderia pôr e dispor sem que nós tivéssemos por onde contestar."
Perante a pergunta sobre se as pessoas lesadas com as taxas de potência poderiam vir a ser reembolsadas, respondeu não caber "a esta autarquia qualquer responsabilidade neste aspecto e, (...) não há qualquer possibilidade de reembolso." Tratava-se de mais umas dezenas de milhares de contos...

Foi pena que o entrevistado não esclarecesse a questão da renda que tinha anunciado na Assembleia de Freguesia de Julho de 1983, para sabermos se na negociação com a Câmara Municipal terá ficado assente que a renda a receber da EDP alguma vez seria repartida com as juntas de freguesia que tinham distribuição de energia eléctrica... Isto porque o problema não era exclusivo da Vila das Aves...



terça-feira, 20 de maio de 2014

A distribuição de electricidade na Vila das Aves até 1983 (6)

O Protocolo entre a  Câmara Municipal de Santo Tirso e a EDP que entrou em vigor em 1 de Outubro de 1983 inclui, seguramente, tudo o que a Vila das Aves dizia respeito. Para o confirmar bastaria verificar se, no que respeita ao Cap. VII, nº1, a lista do pessoal afecto à Junta de Freguesia acompanha o protocolo, o que não pudemos, contudo confirmar.

Já no que respeita às contrapartidas pela concessão, o Protocolo não permite conclusão definitiva: 

Uma adenda ao ponto 2 do capítulo V acrescenta que a hipótese prevista nesse ponto só se verificará se para regularizar a dívida for necessário transferir a totalidade do património afecto aos serviços de electricidade... Outro ponto interessante diz respeito à regularização de  contas, que acabou por ficar assim (Cap. X 5): "Dado que não é possível no dia 1/10/83 o acerto de contas previsto no protocolo, seja garantido o congelamento dos débitos e créditos em 1/10/83 e que o cálculo definitivo dessas parcelas seja feito pela legislação em vigor nessa  data e ainda que a EDP não diligencie a cobrança da dívida sem que seja proferido o despacho previsto no artº 13º do Decreto-Lei 344/B82, no caso de a Câmara pretender regularizar a dívida através da transferência do património".

Foi feito o acerto de contas?
Quando? Como?
Qual é o montante da renda que a EDP paga à Câmara Municipal?
Ou  é apenas fornecido um crédito de energia por ter sido entregue o património?
Qual é a parte das freguesias que tinham distribuição nesse crédito (ou na renda, se houver)?

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A distribuição de electricidade na Vila das Aves até 1983 (5)

As negociações com a EDP, tendo em conta a legislação aplicável, não podiam ter sido levadas a cabo pela Junta de Freguesia. Era com a Câmara Municipal, a quem a lei atribuía a competência para a distribuição de energia, que a EDP tinha de negociar a futura concessão...
(A iluminação pública, que no caso de Vila das Aves era suportada pela Junta e está documentada na foto ao lado com um peça de museu ainda existente, era outra parcela do negócio).

As eleições de Dezembro de 1982 mudaram os protagonistas nas lides autárquicas: na Câmara o PSD foi substituído pelo PS liderado por Joaquim Couto; na Junta de Vila das Aves, o CDS de Geraldo Garcia deu também lugar ao PS, liderado por José Francisco de Almeida Pacheco e com Aníbal Moreira no elenco. Em 13 de Março de 1983 o Presidente da Junta refere na sessão de Assembleia de Freguesia que "agora fosse mais difícil um acordo razoável dada a dívida ser enorme e os juros de mora rondarem os mil contos mensais". E na sessão de 14 de Março do mesmo ano o executivo pediu "o aval desta Assembleia para livremente  negociar" com a EDP. O Partido Socialista, pela voz de Mário Neto, apoiou a pretensão "desde que o executivo se comprometa a ir informando a Assembleia das negociações em curso".  "O executivo esclareceu que este aval só diz respeito ao entabular de conversações e de modo nenhum a sua conclusão".
Em Julho de 1983,  na Assembleia de Freguesia, à margem de um debate sob perdão de dívida de energia eléctrica à Associação do Infantário é referido "falando sobre as negociações em curso, o Presidente da Junta expôs aspectos importantes desta negociação: que a EDP vai assinar um protocolo em que se compromete a garantir o património da Vila das Aves e não tomar conta da rede mas a pagar uma renda com a qual irá amortizar a dívida ao longo dos anos de concessão, comprometendo-se também a melhorar a rede e a qualidade dos serviços, a ligar os novos postos de transformação e a integrar os funcionários".
Um membro da Assembleia (Carlos Alberto Ferreira, do CDS) referiu que já sabia da integração e dos seus termos antes da informação do executivo tendo afirmado que um antigo presidente da Junta, o Dr. Alves, quando em certa ocasião pretenderam retirar-nos a rede terá afirmado que só por cima do seu cadáver... Outro, António Araújo, membro do executivo anterior, acusou a junta de entregar a rede para agradar à Câmara...  e defendeu as decisões do executivo anterior de não entregar a rede, "alegando que nada ficaria escrito de tais contactos havidos"(sic), decisões que o executivo actual entendia não defenderem a terra e os trabalhadores. (O anterior presidente da Junta, que era membro desta Assembleia de Freguesia e até esta data muito interveniente nas discussões, esteve ausente desta reunião).

terça-feira, 6 de maio de 2014

A distribuição de electricidade na Vila das Aves até 1983 (4)

Nas actas da Assembleia de Freguesia as primeiras referências à existência de dívida à EDP pelos fornecimentos de energia eléctrica aparecem em Outubro de 1981, numa sessão em que, curiosamente, foi também referido o aumento das tarifas de energia. A acta é demasiado sintética para esclarecer qual era o ponto da situação nessa data e em nenhuma altura do mandato que terminou com as eleições de Dezembro de 1982 é referido o montante em dívida.
Em Junho de 1982 o Presidente da Junta, aludindo à dívida, informou a Assembleia de Freguesia de que estava convicto que no prazo de doze ou dezoito meses todos os serviços de distribuição estariam integrados.A integração consumou-se em Outubro de 1983...

A decisão de criar uma dívida ao fornecedor de energia (que se sabia iria "tomar conta" do negócio) foi o modo de pressão encontrado por muitas câmaras e juntas para fazer valer os seus direitos patrimoniais e, vista a uma distância de mais de vinte anos, parece ter sido uma decisão muito acertada. No caso da Vila das Aves resultou na libertação de meios financeiros que permitiram a aquisição de terrenos (Fontainhas, Ringe), a elaboração de projectos ( Urbanização das Fontainhas, posteriormente modificado) e o apoio à conclusão do Estádio do C.D. das Aves e ao arranque da Associação Humanitária, entre outras coisas. Mas teve também um lado menos agradável: durante anos a população pagou tarifas de energia ("taxas de potência") superiores ao que era praticado pela EDP noutros locais, a rede era altamente deficitária e a EDP recusava-se a ligar alguns postos de transformação prontos a entrar em funcionamento